Resenha: Mary Poppins, P. L. Travers

março 29, 2016 0 Comments A+ a-

Título: Mary Poppins
Autora: P. L. Travers
Editora: Cosac Naify
Páginas: 192
ISBN: 978-85-405-064-11
Lançamento: 2014
Gênero: Ficção, Literatura infanto-juvenil
Onde comprar: Amazon
Links: Skoob
Avaliação: «««««

Sinopse: Uma das histórias mais amadas por crianças e adultos do mundo todo, Mary Poppins ganha uma nova edição, com ilustrações do estilista Ronaldo Fraga, tradução do escritor Joca Reiners Terron e posfácio da professora de literatura inglesa da usp Sandra Vasconcellos. Depois de desenhadas por Fraga, como verdadeiros croquis de moda, os desenhos foram bordados à mão em tecido e fotografados em estúdio. O leitor vai, finalmente, descobrir a história de Mary Poppins, a babá mágica que chega inesperadamente para cuidar das crianças Banks e lhes abre os olhos para os mistérios e as maravilhas que nos cercam, todos os dias.

Esse livro para mim tem cheiro de nostalgia, mas uma nostalgia já esquecida. Me disseram que quando era pequena assisti ao filme inúmeras vezes, mas honestamente não lembro de nada. Para mim, ler o livro foi conhecer a história pela primeira vez, o que foi ótimo sem a sombra da Disney na cabeça.


A leitura é deliciosa. A narrativa de Travers é fluida, leve. Aquele livro que você lê sem culpa, sem stress, sem medo de se decepcionar desde o primeiro capítulo, quando a babá Mary Poppins chega a residência dos Banks trazida pelo vento Leste.
"Mas os olhos de Mary Poppins estavam fixos no menino e, de repente, Michael descobriu que não se pode olhar para Mary Poppins e mesmo assim desobedece-la. Existia algo estranho e extraordinário nela – alguma coisa que era ao mesmo tempo assustadora e muito excitante". [p.25]



Ao longo da leitura fica aquela dúvida, será que isso realmente aconteceu ou foi imaginação das crianças. A realidade é colocada em questão em todo o livro, e é o que dá o tom a estória. Quando menos se espera o cotidiano banal muda e é inserida uma nova dimensão. Dimensão na qual as aventuras das crianças moradoras da Cherry Tree Lane número 17 e sua babá Mary Poppins não tem limites de imaginação.

Imaginação não somente das crianças, mas também da própria Mary Poppins que flutua como personagem entre o adulto que deve ser obedecido e respeitado e uma criança, com vontade de aventuras e com uma imaginação costumeiramente mais livre.



Não acredito que seja um livro específico para o público infantil, apesar de ser um aclamado clássico infantil da literatura inglesa. Nem mesmo a escritora acreditava que escrevia para crianças. 
You do not chop off a section of your imaginative substance and make a book specifically for children for – if you are honest – you have, in fact, no idea where childhood ends and maturity begins. It is all endless and all one. [I never wrote for children – P. L. Travers]

A autora ainda escreveu outros livros sobre a estória da babá, como A volta de Mary Poppins (1934) e Mary Poppins e a casa ao lado (1989) totalizando seis volumes sobre ela.

Comprei o livro, além de querer ler a história, porque a edição da Cosac Naify é uma obra prima. O design gráfico é lindo, desde a encadernação que já forma a lombada a escolha das fontes e a diagramação. Mas principalmente pelas ilustrações que são maravilhosas. As ilustrações são do estilista Ronaldo Fraga e foram bordadas pela mineira Stella Guimarães e sua equipe de bordadeiras e posteriormente fotografados. Segundo o criador os bordados que deixam os fios soltos como Mary Poppins ao vento e são colírio para os olhos.




27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.