Resenha: Trilogia do Século, Ken Follett

março 22, 2016 5 Comments A+ a-

Título: Queda de Gigantes
Autora: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Páginas: 912
ISBN: 978-85-992-9685-1
Lançamento: 2010
Gênero: Romance, Ficção
Onde comprar: Amazon - Livraria Cultura
Links: Skoob
Avaliação: «««««

Sinopse: Cinco famílias, cinco países e cinco destinos marcados por um período dramático da história. Queda de gigantes, o primeiro volume da trilogia "O Século", do consagrado Ken Follett, começa no despertar do século XX, quando ventos de mudança ameaçam o frágil equilíbrio de forças existente – as potências da Europa estão prestes a entrar em guerra, os trabalhadores não aguentam mais ser explorados pela aristocracia e as mulheres clamam por seus direitos.

Título: Inverno do Mundo
Autora: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Páginas: 880
ISBN: 978-85-804-1089-1
Lançamento: 2012
Gênero: Romance, Ficção
Onde comprar: Amazon - Livraria Cultura
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Avaliação: «««««

Sinopse: Depois do sucesso de Queda de gigantes, Ken Follett dá sequência à trilogia histórica “O Século” com um magnífico épico sobre o heroísmo da Segunda Guerra Mundial e o despertar da era nuclear. Inverno do mundo retoma a história do ponto exato em que termina o primeiro livro. As cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa – que tiveram seus destinos entrelaçados no alvorecer do século XX embarcam agora no turbilhão social, político e econômico que começa com a ascensão do Terceiro Reich. A nova geração terá de enfrentar o drama da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial, culminando com a explosão das bombas atômicas.

Título: Eternidade por um fio
Autora: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Páginas: 940
ISBN: 978-85-804-1291-8
Lançamento: 2014
Gênero: Romance, Ficção
Onde comprar: Amazon - Livraria Cultura
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Avaliação: ««««

Sinopse: Durante toda a trilogia “O Século”, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Neste livro que encerra a série, o destino de seus personagens é selado pelas decisões dos governos, que deixam o mundo à beira do abismo durante a Guerra Fria. Esta inesquecível história de paixão e conflitos acontece numa das épocas mais tumultuadas da história: a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com o Muro de Berlim, assassinatos, movimentos políticos de massa, a crise dos mísseis de Cuba, escândalos presidenciais e... rock ’n’ roll!

Uau! Essa foi minha reação depois das quase 3.000 páginas lidas da Trilogia do Século de Ken Follett, que é formado por A Queda dos Gigantes (Livro 1), Inverno do Mundo (Livro 2) e Eternidade por um fio (Livro 3)

A Trilogia do Século tem esse nome por tratar da história do Século XX, acompanhando os passos de 5 famílias (núcleos): a família Williams no País de Gales, a família Fitzherbert da Inglaterra, a família von Ulrich na Alemanha, a família Dewar nos EUA e a família Peshkov na Rússia.

O século XX é temporalmente dividido da seguinte maneira nos três livros:
A Queda dos Gigantes trata dos acontecimentos dos anos de 1911-1924, como a Primeira Guerra Mundial, o movimento sufragista, a luta da classe trabalhadora por seus direitos e a Revolução Russa.
Inverno do Mundo vai de 1933-1949, que engloba a ascensão do Nazismo e a Segunda Guerra Mundial.
O último livro, Eternidade por um fio, que se inicia no ano de 1961 e acaba em 1989, é o livro que aborda a Guerra Fria, os movimentos pelo fim da segregação racial nos EUA, a crise dos mísseis de Cuba, o movimento hippie, o surgimento do Rock n`Roll e muito mais.

Ao longo desses livros, que por opção do autor inglês focam os fatos históricos do eixo EUA-Europa, acompanhamos o envelhecimento dos personagens, o nascimento das gerações seguintes e sua participação nos acontecimentos que marcaram as gerações dos nossos bisavós, avós e pais (que por questões de idade, acompanharam tudo mais de perto).

A pesquisa histórica que Ken Follett faz para a produção dos três romances é impressionante. São detalhes de vestimentas, alimentação, hábitos, relações de classes, geografia, arquitetura, arte, aos fatos que são mais facilmente encontrados nos livros de História (e que por isso não podem nem ser considerados spoilers). Os personagens ficcionais e não-ficcionais se misturam e se relacionam de tal maneira que podemos pensar que eles de fato existiram. Para ajudar o leitor, no início de cada livro há uma lista com a divisão dos personagens nessas categorias.

A lista de personagens é abundante e fica aqui meus parabéns para o autor por não se perder em tantas estórias e histórias e pela habilidade de conectar todas elas, e de envelhecer os personagens sem perder a complexidade do personagem.
“Dave estava descobrindo o porquê que sua avó queria mudar a lei. Se sentiu envergonhado por ter vivido tanto tempo em ignorância”. (Eternidade por um fio)
Como você já conhece boa parte dos fatos históricos, em alguns momentos você se pergunta simplesmente como vai ser a relação de um determinado personagem com o que já é sabido que vai acontecer. Não acredite que só porque o fato histórico já tem um fim pré-determinado que o interesse pelo texto diminui. Não.
‘Não demorou muito. Eram apenas dez páginas. Ela nem precisou trocar o filme. Ela tinha acabado. Ela tinha roubado o plano de batalha. / Essa foi para você, Pai”. (Winter of the World)

Há personagens de todos os tipos, gostos, crenças políticas, religiosas, sociais. Você quer saber como será o futuro desses personagens e como por exemplo as Grandes Guerras Mundiais vão influenciar suas vidas políticas, econômicas, amorosas.  Além disso, esses personagens se confrontam, discutem e você acaba refletindo e tomando um posicionamento ao longo da história para cada questão mais polêmica que surge no livro. E as vezes é tomado pelo susto, de como alguns trechos se assemelham ao que se lê no jornal diariamente.

Um ponto muito positivo desses três livros é que os personagens femininos são muito presentes e em nenhum momento são acessórios na história. Pelo contrário. Assim como seus colegas masculinos, tem profundidade e complexidade.
“As coisas estão mudando. Se os negros podem ter igualdade, por que não as mulheres?'/ Por favor!, disse George com indignação. ‘Não é a mesma coisa’. / ‘Certamente não é. Sexismo é pior. Metade da raça humana está escravizada’. / ‘Escravizada?’ / ‘Pense quantas donas de casas trabalham duro todos os dias sem pagamento! E em muitas partes do mundo, a mulher que deixa seu marido está sujeita a ser presa e levada para casa pela polícia. Aquele que trabalha por nada e não pode deixar seu trabalho é chamado de escravo, George’. (Eternidade por um fio)
Os três livros não são igualmente bons (o autor não consegue manter o ritmo e a fluidez da narrativa ao longo dos livros), mas o conjunto é uma obra de tirar o fôlego, de fazer sorrir, de fazer chorar, de sentir nojo, de fazer sentir raiva, de querer acabar como tudo que é ruim na humanidade. Mas o que para mim fica claro ao término da leitura é que a história é marcada por acontecimentos complexos, que não são facilmente explicáveis em meia dúzia de páginas e que o trabalho de Ken Follett, mesmo sabendo que não tem como objetivo abordar tudo, é impressionante e de tirar o chapéu.
“Jornais devem contar a verdade!’ disse Woody, sua voz se elevando em um tom furioso de indignação. ‘Não podem simplesmente inventar mentiras!’ /‘Sim, eles podem’, ela disse. /‘Mas não é justo!’ /‘Bem vindo ao mundo real’, disse sua mãe”. (Inverno do Mundo)


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

5 comentários

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22 de março de 2016 13:53 delete

Oi Aline,
Sempre tive curiosidade de ler algum livro do Ken Follet, mas gostaria de começar por algum mais modesto.
Por que a Trilogia O Século parece ser um épico histórico, e tenho certeza que seriam poucos os autores que teriam coragem para escrever uma estória tão audaciosa.
Gosto bastante de romances históricos e não tenho dúvidas de que mais cedo ou mais tarde vou acabar lendo essa trilogia.
Abraço,
Alê
www.alemdacontracapa.blogspot.com

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22 de março de 2016 17:49 delete

Olá Alê!
Se quiser começar a ler algo dele recomendo o Pilares da Terra. O livro é impressionante e é só um!
Beijo

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22 de março de 2016 21:36 delete

Aline, sou louca para ler essa trilogia mas confesso que ainda não li pelo grande número de páginas. Tenho aqui Mundo sem Fim, que são 2 volumes, e eles estão aguardando lá na estante. Mas como os coloquei como meta deste ano, começarei por eles. Quem sabe tomo coragem para ler essas quase 3.000 páginas! Parabéns pela resenha! Bjs

amo-os-livros.blogspot.com

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22 de março de 2016 21:46 delete

Renata, obrigada! Eu ainda não li Mundo sem Fim. Colocarei na minha lista.
O número de páginas assusta. Ele não sabe escrever coisas curtas, não é.
Mas vale muito a pena.
Beijos

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Unknown
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5 de julho de 2016 20:43 delete

Procura o livro Um Lugar Chamado Liberdade

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