Resenha: O Nome da Rosa, Umberto Eco

18:00:00 6 Comments A+ a-

Título: O Nome da Rosa
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
Páginas: 546
ISBN: 978-85-0108-140-7
Lançamento: 2015
Gênero: Romance italiano
Onde comprar: Livraria Cultura - Saraiva
Links: Skoob
Avaliação: 

Sinopse: Durante a última semana de novembro de 1327, em um mosteiro franciscano italiano, paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A morte, em circunstâncias insólitas, de sete monges em sete dias, conduz uma narrativa violenta, que atrai por seu humor, crueldade e sedução erótica.
“O monge também é um homem (...) Mas aqui são menos homens que em outros lugares”. [p.160]


Li “O Nome da Rosa” pela primeira vez há alguns anos. Decidi relê-lo, primeiro porque não lembrava muito bem como o livro acabava, apenas que ler todas as páginas foi uma experiência e tanto. Segundo, porque o tinha comprado recentemente. Terceiro, com o falecimento do autor em fevereiro desse ano, voltei a ter vontade de ter contato com a obra do autor.

A edição que tenho, tem a Introdução escrita por Daniel Lodge, que explica que os leitores de “O Nome da Rosa” podem ser divididos em três grupos: o primeiro é aquele que leem a história atraídos pelo crime e investigação. O segundo grupo é atraído pelo debate das ideias e procura estabelecer conexões com o presente. Já o terceiro grupo é aquele que reconhece as inúmeras referências textuais de outros autores na narrativa de Umberto Eco.


Eu pertenço ao primeiro grupo. O que me fascinou em “O Nome da Rosa” foi justamente a trilha que os personagens principais, o frei inglês Guilherme de Baskerville e o noviço alemão Adso de Melk, percorrem para descobrir a origem das mortes que acontecem no mosteiro franciscano.

Considerando que o romance é considerado também um romance policial as semelhanças e as referências ao personagem Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, não passam desapercebidas. Como o lugar de origem do frei Guilherme, que faz alusão a uma das histórias mais famosas do detetive inglês, “O Cão dos Baskerville” e a maneira como Guilherme resolve o mistério do cavalo Brunello já no início do livro, e que demonstra seus poderes de dedução (por sinal um dos meus trechos favoritos!).

O romance se passa todo dentro do perímetro da abadia, ao longo de 7 dias, estes divididos em matinas, laudes, prima, terça, etc, que seguem as regras da vida monástica. É narrado em primeira pessoa, por Adso, que depois de décadas relata o que aconteceu. Assim, você como leitor acompanha passo a passo como, onde e quando se passam os acontecimentos que levam ao fim do livro.
“E ouvindo o comovente uníssono, vestíbulo das delícias do paraíso, perguntei-me se deveras a abadia era lugar de mistérios ocultos, de ilícitas tentativas de desvela-los e de tenebrosas ameaças”. [p.138]

Esse acompanhamento, confesso, pode ser as vezes bem cansativo. As primeiras páginas são bastante densas e difíceis de ler, por causa das inúmeras referências históricas e descrições religiosas que Umberto Eco faz. O próprio autor admite que essas páginas são como uma penitência ou iniciação e que aqueles capazes de ler todas elas teriam aprendido a ler o livro e não seriam capazes de parar.

E compensa. O que vem depois das primeiras páginas é emocionante. Suas perguntas e dúvidas vão aos poucos sendo respondidas: O que aconteceu com os monges que morreram? Qual a relação entre as mortes? Qual é o mistério que envolve a biblioteca? Porque se discute tanto a questão do riso?

E o que mais me fascinou, como boa bookaholic, foi esse mistério em torno da biblioteca. Delicioso compartilhar esse amor pelos livros com os personagens.
“Até então pensara que todo livro falasse das coisas, humanas ou divinas, que estão fora dos livros. Percebia agora que não raro os livros falam de livros, ou seja, é como se falassem entre si. À luz dessa reflexão, a biblioteca pareceu-me ainda mais inquietante. Era então um lugar de um longo e secular sussurro, de um diálogo imperceptível entre pergaminho e pergaminho, uma coisa viva, um receptáculo de forças não domáveis por uma mente humana, tesouro de segredos emanados de muitas mentes, e sobrevividos à more daqueles que os produziram, ou os tinham utilizado”. [p.318]



Para quem quiser ainda o livro foi adaptado para o cinema em 1986, como Le Nom de la Rose pelo diretor Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery como Guilherme de Baskerville e Christian Slater como Adso de Melk.

Fica aqui então minha recomendação de leitura. Espero que tenham gostado!



27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

6 comentários

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12 de abril de 2016 23:01 delete

Oi, Aline!
Nunca li nada do Eco e realmente percebi uma maior circulação
do nome dele logo que faleceu (como geralmente acontece).

Fiquei bem curiosa a respeito desse livro e me interessei bastante
pela premissa e pelas referências.

Acredito que vá ser uma boa leitura.

Adorei a dica e a resenha.

Beijinhos,
Sala de Leitura

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13 de abril de 2016 08:46 delete

Obrigada Luciana! Boa leitura!
Pretendo ler mais livros dele em breve, e posto mais resenhas!
Beijos

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13 de abril de 2016 10:19 delete

Oi, Aline!
Nunca li nada do Eco e, pra ser sincera, nem sei se quero ler. Sei lá.. Nunca me passou pela cabeça.
Beijos
Balaio de Babados
Porcelana - Financiamento Coletivo

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Diane
AUTHOR
13 de abril de 2016 15:30 delete

Oie...
Adorei sua resenha!
Ainda não li o livro, mas, já assisti o filme e fiquei fascinada com a história e toda o universo criado pelo autor.
Fiquei super empolgada com sua resenha e quero ler o mais rápido possível.
Bjos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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13 de abril de 2016 18:16 delete

Olá Luiza,

Quando tiver oportunidade, leia. Você vai gostar bastante!

Beijos

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13 de abril de 2016 18:16 delete

Obrigada Diane!
Depois conta o que achou do livro!
Beijos

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