Resenha: Trash, Andy Mulligan

abril 19, 2016 2 Comments A+ a-


Título: Trash
Autor: Andy Mulligan
Editora: Cosac Naify
Páginas: 224
ISBN: 978-85-405-0285-7
Lançamento: 2013
Gênero: Ficção, Literatura juvenil
Onde comprar: Amazon
Links: Skoob
Avaliação: ★★★★★

Sinopse: Não por acaso. Raphael, Gardo e Rato são adolescentes que vivem e trabalham no lixão de Behala, situado em um país de terceiro mundo não nomeado, mas que poderia ser qualquer um da América Latina. A ocupação deles é revirar o lixo em busca de plástico e papel, de onde tiram o sustento da família. Dia após dia, sabem exatamente o que encontrarão - barro e mais barro. Ainda assim, sempre esperam por algo surpreendente, que altere essa difícil realidade. Até que eles enfim têm um dia de sorte - mas o bilhete premiado se mostra muito mais perigoso do que parecia. O segredo está em uma bolsa encontrada em meio ao lixo, contendo um documento, algum dinheiro e uma chave dourada que pode abrir todas as portas da miséria que os enclausura - ou fechá-las para sempre.
“Nunca se sabe o que você pode encontrar mexendo no lixo! Hoje pode ser seu dia de sorte”. [p.9]
Descobri a existência desse livro, quando começaram a sair os trailers para sua adaptação para o cinema, em 2014. O trailer impressionava (comentarei a adaptação no fim do post) e uma coisa leva a outra; olha só, é baseado em um livro. Decidi então lê-lo antes de assistir ao filme, porque gosta de não ter influências principalmente visuais na hora de ler.
O livro de Andy Mulligan conta a história de Raphael, Gardo e Jun-Jun (também conhecido por Rato) no lixão de Behala, quando em um dia encontram no meio da montanha de lixo uma carta, dinheiro e uma chave, objetos que mudarão o rumo das suas vidas.
Cena do filme "Trash - A Esperança vem do lixo".
“Trash” é um livro juvenil que aborda temas como a pobreza, o trabalho infantil e a corrupção. Apesar da trama narrar acontecimentos que fazem você pensar – brevemente e eu vou explicar– nas diferenças sociais e econômicas que existem em cidades latino-americanas (para mim a referência de São Paulo é muito forte, porque afinal eu moro aqui), o fato de como a narrativa é contada faz você embarcar de cabeça no enredo do livro.

Mergulhar de cabeça mesmo, eu li o livro em uma manhã. Isso acontece por vários motivos, e para mim são três principais.

O primeiro é que cada personagem que faz parte conta seu pedaço, em primeira pessoa, e sua perspectiva do momento em que o livro está. E aproveito para elogiar o projeto gráfico do livro, que para cada personagem diferente que vem dar voz a história, utiliza uma fonte distinta, totalizando 18! 

Segundo. O texto é direto, sem rodeios e, portanto, de uma leitura absurdamente leve e ágil. Lembrando que é um livro juvenil – eu honestamente só fui descobrir quando montei o post para essa resenha -, que costumeiramente tem uma narrativa assim.

E terceiro, o enredo. É quase impossível parar de ler. A vontade de saber onde a carta, a chave e o dinheiro vão levar os três garotos é enorme. Não vou contar mais, porque não quero dar spoilers. 

Cartaz americano do filme.
O que me intrigou ao longo da história é que não há um local definido para a cidade onde se passa a história. São mais características genéricas, como o lixão, a polícia truculenta, corrupção, os nomes hispânicos que levam a acreditar que se trata de algum local latino americano. O autor conta que se inspirou em um garoto chamado Rafael que conhece quando está na Índia e a realidade que encontrou nos lixões de Manila, nas Filipinas.

A adaptação para o cinema por exemplo, foi filmada no Brasil, especificamente na cidade do Rio de Janeiro. O filme foi dirigido por Stephen Daldru e Christian Duurvoort e tem no elenco Wagner Moura, Selton Mello e Rooney Mara. Fica aqui a promessa de que assistirei o filme e farei um post especialmente sobre a adaptação do livro para o cinema.
“Aprendi que o mundo gira em torno do dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor – tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Alguns bebem muito dessa água; outros passam sede. Sem dinheiro, você encolhe e morre. A falta de dinheiro cria um deserto onde nada cresce”. [p.137]
Fica aqui minha recomendação e resenha da semana. Espero que tenham gostado!



27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

2 comentários

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Kamilla Evely
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22 de abril de 2016 12:23 delete

Olá!
Eu não conhecia o livro e nem o filme, mas fiquei super curiosa pra ler. Apesar de ter um conteúdo bem tenso, a narrativa não joga nada, vai apresentando e fazendo com que o leitor se jogue na leitura.
Quero muito ler, coloquei nos desejados por que sim. rs
Beijos

www.lendoeapreciando.com

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25 de abril de 2016 09:30 delete

Olá Kamilla!
Obrigada pela visita! Que bom que gostou da resenha!
Beijos

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