Resenha: Trash, Andy Mulligan


Título: Trash
Autor: Andy Mulligan
Editora: Cosac Naify
Páginas: 224
ISBN: 978-85-405-0285-7
Lançamento: 2013
Gênero: Ficção, Literatura juvenil
Onde comprar: Amazon
Links: Skoob
Avaliação: ★★★★★

Sinopse: Não por acaso. Raphael, Gardo e Rato são adolescentes que vivem e trabalham no lixão de Behala, situado em um país de terceiro mundo não nomeado, mas que poderia ser qualquer um da América Latina. A ocupação deles é revirar o lixo em busca de plástico e papel, de onde tiram o sustento da família. Dia após dia, sabem exatamente o que encontrarão - barro e mais barro. Ainda assim, sempre esperam por algo surpreendente, que altere essa difícil realidade. Até que eles enfim têm um dia de sorte - mas o bilhete premiado se mostra muito mais perigoso do que parecia. O segredo está em uma bolsa encontrada em meio ao lixo, contendo um documento, algum dinheiro e uma chave dourada que pode abrir todas as portas da miséria que os enclausura - ou fechá-las para sempre.
“Nunca se sabe o que você pode encontrar mexendo no lixo! Hoje pode ser seu dia de sorte”. [p.9]
Descobri a existência desse livro, quando começaram a sair os trailers para sua adaptação para o cinema, em 2014. O trailer impressionava (comentarei a adaptação no fim do post) e uma coisa leva a outra; olha só, é baseado em um livro. Decidi então lê-lo antes de assistir ao filme, porque gosta de não ter influências principalmente visuais na hora de ler.
O livro de Andy Mulligan conta a história de Raphael, Gardo e Jun-Jun (também conhecido por Rato) no lixão de Behala, quando em um dia encontram no meio da montanha de lixo uma carta, dinheiro e uma chave, objetos que mudarão o rumo das suas vidas.
Cena do filme "Trash - A Esperança vem do lixo".
“Trash” é um livro juvenil que aborda temas como a pobreza, o trabalho infantil e a corrupção. Apesar da trama narrar acontecimentos que fazem você pensar – brevemente e eu vou explicar– nas diferenças sociais e econômicas que existem em cidades latino-americanas (para mim a referência de São Paulo é muito forte, porque afinal eu moro aqui), o fato de como a narrativa é contada faz você embarcar de cabeça no enredo do livro.

Mergulhar de cabeça mesmo, eu li o livro em uma manhã. Isso acontece por vários motivos, e para mim são três principais.

O primeiro é que cada personagem que faz parte conta seu pedaço, em primeira pessoa, e sua perspectiva do momento em que o livro está. E aproveito para elogiar o projeto gráfico do livro, que para cada personagem diferente que vem dar voz a história, utiliza uma fonte distinta, totalizando 18! 

Segundo. O texto é direto, sem rodeios e, portanto, de uma leitura absurdamente leve e ágil. Lembrando que é um livro juvenil – eu honestamente só fui descobrir quando montei o post para essa resenha -, que costumeiramente tem uma narrativa assim.

E terceiro, o enredo. É quase impossível parar de ler. A vontade de saber onde a carta, a chave e o dinheiro vão levar os três garotos é enorme. Não vou contar mais, porque não quero dar spoilers. 

Cartaz americano do filme.
O que me intrigou ao longo da história é que não há um local definido para a cidade onde se passa a história. São mais características genéricas, como o lixão, a polícia truculenta, corrupção, os nomes hispânicos que levam a acreditar que se trata de algum local latino americano. O autor conta que se inspirou em um garoto chamado Rafael que conhece quando está na Índia e a realidade que encontrou nos lixões de Manila, nas Filipinas.

A adaptação para o cinema por exemplo, foi filmada no Brasil, especificamente na cidade do Rio de Janeiro. O filme foi dirigido por Stephen Daldru e Christian Duurvoort e tem no elenco Wagner Moura, Selton Mello e Rooney Mara. Fica aqui a promessa de que assistirei o filme e farei um post especialmente sobre a adaptação do livro para o cinema.
“Aprendi que o mundo gira em torno do dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor – tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Alguns bebem muito dessa água; outros passam sede. Sem dinheiro, você encolhe e morre. A falta de dinheiro cria um deserto onde nada cresce”. [p.137]
Fica aqui minha recomendação e resenha da semana. Espero que tenham gostado!



2 comentários:

  1. Olá!
    Eu não conhecia o livro e nem o filme, mas fiquei super curiosa pra ler. Apesar de ter um conteúdo bem tenso, a narrativa não joga nada, vai apresentando e fazendo com que o leitor se jogue na leitura.
    Quero muito ler, coloquei nos desejados por que sim. rs
    Beijos

    www.lendoeapreciando.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Kamilla!
      Obrigada pela visita! Que bom que gostou da resenha!
      Beijos

      Excluir