Resenha: O Mágico de Oz, L. Frank Baum

maio 17, 2016 4 Comments A+ a-

Título: O Mágico de Oz
Autor: L. Frank Baum
Editora: Zahar
Páginas: 252
ISBN: 987-85-378-1134-4
Lançamento: 2013
Gênero: Literatura infanto-juvenil americana
Onde comprar: Livraria Cultura - Saraiva
Links: Skoob
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Após a passagem de um ciclone, Dorothy e seu cachorrinho Totó vão parar na estranha Terra de Oz. Ao lado de novos amigos - o Espantalho, O Lenhador de Lata e o Leão Covarde - encaram perigos e aventuras, desafios e seus próprios medos, numa longa viagem de volta, e de autodescoberta.

“Não existe lugar igual à casa da gente”. [p.92]

Depois de ler Peter Pan e Mary Poppins (livro já resenhado, veja aqui), foi a vez de mais um clássico da literatura infanto-juvenil: O Mágico de Oz, de L. Frank Baum.

Acompanhamos a história de Dorothy, uma garotinha que é levada do Kansas para o mundo mágico de Oz por um ciclone, juntamente com seu cachorrinho Totó. Lá, em busca de uma maneira de voltar para o Tio Henry e a Tia Em, conhece o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde. Eles a acompanham em suas aventuras nesse mundo mágico, cada um em busca do que mais quer: Dorothy, voltar para o Kansas; o Espantalho, um cérebro; o Lenhador de Lata, um coração; e o Leão Covarde, coragem.

No conto infantil criado por Baum, Dorothy se tornou um símbolo do meio oeste-americano. E por sua determinação, energia e a vitalidade de alguém que sabe o que quer, foi considerado por feministas o primeiro livro infantil de cunho feminista. 

Uma criança ao ler o livro, provavelmente se lembrará das aventuras do grupo e como cada aventura se desenrola. Para um olhar mais atento, que no meu caso, guiado pela apresentação de Martin Gardner e pelos comentários da edição, o livro está repleto de alegorias e simbologias.

O que parece apenas uma grande aventura é na realidade uma jornada e um processo de aprendizado e autoconhecimento dos principais personagens. Cada um em busca do que considera precisar, não percebem que na verdade todos eles tem tudo que precisam desde o início.

“O Leão Covarde, o Espantalho e o Lenhador de Lata ilustram deliciosamente a tendência humana de confundir uma virtude real com seus símbolos externos sem valor”. [p.15]

Os amigos de Dorothy, o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão representam as virtudes da inteligência, da bondade e da coragem, respectivamente. Além disso, cada um representa um reino da natureza: vegetal, mineral e animal.

Também surgem no livro discussões filosóficas, como o que é superior: a cabeça ou o coração. Representado nesse diálogo excelente.

“-Mesmo assim - disse o Espantalho - vou pedir um cérebro em vez de um coração. Porque um burro, mesmo se tivesse um coração, não ia saber o que fazer com ele.

- E eu vou ficar com o coração - respondeu o Lenhador de Lata. - Porque um cérebro não faz ninguem feliz, e a felicidade é a melhor coisa do mundo.

Dorothy não disse nada, porque estava tentando descobrir qual dos seus dois amigos tinha razão (...)”. [p.102]

Outro ponto de destaque do livro é a construção da narrativa de acordo com as dicotomias que Baum cria. A história se inicia e termina no Kansas. São duas bruxas más (Norte e Sul) e duas más (Leste e Oeste). E a cidade de Oz fica no meio do caminho para tudo isso e também está na metade do livro.

Não são apenas os opostos em questões geográficas. Ao descrever o Kansas como um lugar cinza, o contraste com as descrições do mundo mágico de Oz ficam muito evidentes. A terra de Oz e a mudança das regiões obedece a teoria das cores, dividas em primárias e secundárias. Como a Cidade das Esmeraldas, que sendo verde, está entre os países azul e amarelo.

O Espantalho, o Lenhador de Lata, Dorothy e o Leão, na adaptação ao cinema de 1939. 





Em 1939, a MGM adaptou a história de L. Frank Baum para os cinemas. Filmado em sépia, para as cenas no Kansas, e em technicolor (técnica utilizada para coloração de filmes) para criar o contraste de cores dos lugares como descrito no livro.

Para que os sapatinhos de Dorothy, que no livro são prateados, tivessem um maior contraste em relação aos tijolos amarelos da estrada que levava até Oz, a cor escolhida foi o vermelho.

Outra adaptação significativa, foi que na adaptação para o cinema, tudo não se passaria de um sonho. Como no clássico britânico Alice no País das Maravilhas. No livro, no entanto, o autor descreve Oz como um lugar real, para o qual Dorothy retorna nos livros seguintes da série (como The Lost Princess of Oz e Dorothy and the Wizard of Oz).

Essa é a minha recomendação de leitura e resenha da semana. Espero que tenham gostado e comentem o que acharam!


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

4 comentários

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17 de maio de 2016 22:02 delete

Oi, Aline!
Tem um tempinho que eu li esse livro e pretendo reler assim
que diminuir a minha fila de leituras.
Gosto muito do livro e da adaptação também e é um dos meus
livros favoritos da vida!

Bejinhos,
Sala de Leitura

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18 de maio de 2016 09:24 delete

Oi Luciana!

Eu já tinha visto o filme, mas lido livro ainda não.
Adorei! Gosto muito dos clássicos infanto-juvenis.
Mary Poppins é super legal também.
Obrigada pela visita.

Beijos

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18 de maio de 2016 12:37 delete

Eu nunca li o livro pra falar a verdade. Ouvia a história desde criança, assisti ao filme - e adorei- mas o livro em si não. Engraçado, nem parei pra pensar nisso... até agora é claro.
Beijos

Quanto Mais Livros Melhor

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18 de maio de 2016 14:19 delete

Oi Priscila!

Aproveita e leia. Ele é super rapidinho e fácil!
Obrigada pela visita!

Beijos

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