Resenha: O Rei Mago (Trilogia Os Magos #2), Lev Grossman

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Título: O Rei Mago (The Magician King)
Autor: Lev Grossman
Editora: Amarylis (Viking)
Páginas: 456 (416)
ISBN: 978-85-204-3387-4 (978-06-700-2231-1)
Lançamento: 2012 (20121
Gênero: Ficção, Literatura americana
Onde comprar: Americanas - Livraria Cultura - Submarino
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Passaram-se dois anos desde que Quentin Coldwater deixou o nosso mundo para, ao lado de Eliot, Janet e Julia, assumir um dos quatro tronos de Fillory, o reino mágico saído das páginas de uma adorada série de literatura fantástica que, assim como a magia, ele descobriu ser algo bem real. Apesar de a incursão anterior ao território filloriano ter sido trágica, ele agora desfrutava de um reino em tempos de paz, cercado de todo o luxo que uma nobreza real poderia oferecer e adorado por seus agradecidos súditos pagadores de impostos. Como reclamar de um final feliz como esse Quentin, no entanto, não se sentia um herói. E achava que a aventura ainda não tinha acabado. Ele tinha razão.

“Fuck reality, baby. Let’s go save the universe”. [p. 321]

Antes de começar a resenha de fato, fica aqui um aviso. O Rei Mago é o segundo livro de uma trilogia escrita por Lev Grossman. Se você ainda não leu o primeiro livro, e não está a fim de levar spoilers na cara, confira primeiro a resenha de Os Magos (Trilogia Os Magos #1) aqui.


Terminamos o primeiro livro, Os Magos, com Quentin, Julia, Eliot e Janet voltando para Fillory, a terra mágica citada em livros infantis que na verdade existe. Lá se tornaram reis e rainhas. Para mim terminar esse primeiro da trilogia me deixou com tantas perguntas: de onde vem a magia que eles controlam (porque em determinados momentos em Os Magos isso é pouquissimo discutido); de onde a Julia arranjou tantos poderes (sabemos pelos encontros que teve com Quentin ao longo do livro que alguma coisa estava acontecendo); como de fato funcionam as fontes da Terra Nula e de onde tudo aquilo veio; o que os quatro personagens vão fazer em Fillory.

Muitas dessas perguntas são respondidas em O Rei Mago e claro, novas perguntas tomam seus lugares. Poderia dizer que a história desse segundo livro é dividida em duas narrativas.

“You wish to be a hero, but you don’t know what a hero is. You think a hero is one who wins. But a hero is prepared to lose, Quentin”. [p.194]

A primeira, a de Quentin, que depois de dois anos em Fillory como Rei está entediado com sua rotina. Ele percebe que na verdade se tornar rei não é o início de uma história de aventuras e sim seu fim. Ele entende porque reis e rainhas são tão gordinhos em imagens antigas, pois sua rotina e dos demais governantes não passa de comer, beber e entreter de vez em quando a população.

Em busca de uma aventura, de uma mudança dessa rotina que o entedia, de saciar a vontade que tem de se tornar um herói, como os personagens dos livros de fantasia que leu ao longo da via, Quentin, juntamente com Julia, parte para uma missão para cobrar de uma ilha no meio do oceano os impostos que não estão sendo pagos. A partir daqui começa a trama do livro.

Ao contrário do primeiro livro, que é muito mais explicativo, O Rei Mago se aproxima muito mais de uma aventura, e claro, apesar de alguns percalços, desvios e desencontros, se encaminha para um final muito mais sólido e palpável do que o seu antecessor.

“It was fun being a problem. Julia had been very very good for a long time, and the funny thing about that was, if you’re too good too much of the time, people start to forget about you. You’re not a problem, so people can strike you off their list of things to worry about. Nobody makes a fuss over you. They make a fuss over bad girls”. [p.91]

A segunda narrativa é para mim, de longe, a mais interessante. Finalmente sabemos o que aconteceu com a personagem de Julia. Ela que nós acompanhamos apenas de longe em Os Magos, se torna central no desenrolar e no desfecho da história de O Rei Mago. Passamos a entender e sentir, por o que passou Julia para se tornar a maga poderosa que vemos no início do livro. E o que está por trás dessa personagem triste e que teve que sacrificar muita coisa para conseguir o que queria.

Julia, na serie do ScyFy 'The Magicians'.

E um dos pontos altos para mim do livro é a introdução do tema religião no meio disso tudo. A existência de deuses, e o que eles tem a ver com a narrativa (isso você vai ter que descobrir lendo, o spoiler seria imperdoável!).

Assim como o livro anterior, esse também está recheado de referências de outras fantasias que conhecemos, sejam livros, filmes ou videogames. A colocação dessas referências no meio da narrativa evita que, pelo menos para mim, compare essa trilogia com fantasias aclamadas como O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia e Harry Potter.

E eu gosto muito do que Lev faz no livro. Realiza o sonho de todo nerd. Quem nunca quis ir pra Hogwarts, que nunca quis ir para a Terra Média, ou para Nárnia. Ao mandar Quentin para lá ele representa todas essas pessoas. Mas de uma maneira muito real. Porque ao contrário de Alice, dos irmãos Pevensie, Quentin vai para lá e observa tudo de uma maneira muito racional. E como no primeiro livro, todos os atos tem consequencias e a realidade pode não ser uma aventura como queremos imaginar.

Se você gostou de Os Magos, não há necessidade de convence-lo de ler a continuação O Rei Mago.

Essa é a minha recomendação de leitura e resenha da semana. Espero que tenham gostado e comentem o que acharam!


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.