Resenha: Os Magos (Trilogia Os Magos #1), Lev Grossman

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Título: Os Magos (The Magicians)
Autor: Lev Grossman
Editora: Amarylis (Viking)
Páginas: 456 (402)
ISBN: 978-85- 204-3028-6 (978-06-702-055-3)
Lançamento: 2010 (2009)
Gênero: Ficção, Literatura americana
Onde comprar: Amazon - Saraiva
Links: Skoob
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Conheça Quentin Coldwater, um gênio precoce às vésperas de entrar na faculdade. Como a maioria das pessoas, Quentin acreditava que a magia não era algo real.
Tudo muda quando ele é surpreendentemente admitido em uma universidade de estudos mágicos muito antiga, muito secreta, muito exclusiva situada ao norte de Nova York. Após se esgueirar por um terreno baldio do Brooklyn na tarde de inverno em que deveria ter feito sua entrevista para entrar em Princeton, Quentin se vê em pleno verão no idílico campus da misteriosa Brakebills. Ali, não antes de um difícil e cansativo exame de admissão , ele dá início a uma extensa e rigorosa iniciação ao universo acadêmico da feitiçaria moderna, ao mesmo tempo, descobre também os princípios boêmios da vida universitária; amizades, amores, sexo e álcool. Um vislumbre da vida adulta?

Me disseram que esse livro, o primeiro de uma trilogia escrita por Lev Grossman, era como Harry Potter só que na universidade. Ledo engano. Como disse muito bem George R.R. Martin, autor da série As Crônicas de Gelo e Fogo:
“The Magicians is to Harry Potter as a shot of Irish whiskey is to a glass of weak tea. … Grossman’s sensibilities are thoroughly adult, his narrative dark and dangerous and full of twists. Hogwarts was never like this”.
Os Magos (ou The Magicians, pois escolhi ler o livro em inglês, e por isso as citações são nessa língua) conta a história de Quentin Coldwater. Garoto de 17 anos, morador do Brooklyn em Nova Iorque e que está prestes a entrar na Universidade. Assim como nossa geração cresceu lendo Harry Potter, Quentin cresce com os livros sobre Fillory como fieis companheiros.

Esses livros, que o autor cria especialmente para o universo  da trilogia de ‘Os Magos’ abordam uma terra que remete muito àquela criada por C.S.Lewis em As Crônicas de Nárnia, e que são uma das inúmeras referências do livro, chamada Fillory. Na qual magia é real e crianças são chamadas para aventuras inimagináveis.

Quentin sempre sonhou que magia pudesse ser real, e quando menos espera é chamado para um teste de admissão para Brakebills College for Magical Pedagogy.

Imagem da adaptação da serie para o canal ScyFy.
Em Brakebills se estuda para ser mago. E magia é algo real, muito real. Mas para conseguir dominá-la deve-se estudar muito, e ser extremamente inteligente, beirando a genialidade. O que Lev Grossman consegue fazer é inserir a magia em um universo que para nós é muito conhecido, o nosso dia-a-dia. Magia remete a leis de física e química, a exercícios infinitos de repetição e um curso universitário no qual se deve estudar muito para passar de ano.

Além desse toque de realidade, pois quando descrita a magia poderia ser algo muito palpável, os alunos que vão a Brakebills são como nós. Leram J.K. Rowling, Tolkien, C.S.Lewis, jogam video games, bebem, fazem sexo, usam drogas, tem problemas de relacionamento, problemas familiares, e tudo que faz a realidade ser a realidade.

O personagem principal criado, no qual o livro é praticamente inteiro focado, está a procura de um local, um grupo de pessoas com os quais se sinta de fato parte. Desde o início da trama, Quentin é um tanto quanto depressivo, e se sente sempre com um vazio, o qual ele sempre tenta preencher. Isso muda com seu ingresso a Brakebills.
“He had performed all the necessary rituals, spoken the words, lit the candles, made the sacrifices. But happiness, like a disobedient spirit, refused to come”. [p.16]
Acompanhamos Quentin em sua jornada para a maturidade, com suas escolhas de amizade, estudos, suas crises existenciais, e por isso o livro pode ser considerado um romance de formação.

Imaginando a magia como algo presente no mundo real, praticada por pessoas reais - poderia ser você -, com seus caprichos, emoções e desejos volúveis, Lev Grossman presta homenagem às histórias de C.S.Lewis, T.H.White, Neil Gaiman e J.K.Rowling, mas ao mesmo tempo constrói o seu universo no qual não há limite entre o bem e o mal, amor e sexo são nada simples, e cada ato tem consequências e que muitas vezes não podem ser revertidos.
“He wasn’t in a safe little story where wrongs were automatically righted; he was still in the real world, where bad, bitter things happened for no reason, and people paid for things that weren’t their fault”. [p.127]
Para aqueles, que assim como eu, gostam de referências em livros, aqui uma lista de algumas que aparecem no livro. (Cuidado, pois contem spoilers!)
“Stop looking for the next door that is going to lead you to your real life. Stop waiting. This is it: there’s nothing else. It’s here, and you’d better decide to enjoy it or you’re going to be miserable wherever you go, for the rest of your life, forever”. [p.336]
Os Magos é magia para adultos; é magia para quem leu Harry Potter e ficou com um gostinho de quero mais.

E quem ficou com ainda mais gostinho de quero mais, os livros estão sendo adaptados pelo canal ScyFy para uma série - The Magicians, que já tem uma temporada de 13 episódios e 2ª temporada confirmada para 2017.



27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.