Resenha: Peter & Wendy ou Peter Pan, J. M. Barrie (duas edições)

18:00:00 2 Comments A+ a-


Título: Peter & Wendy (Peter Pan)
Autor: J.M. Barrie
Editora: Cosac Naify (Zahar)
Páginas: 288 (222)
ISBN: 978-85-405-0258-1 (978-85-378-0890-0)
Lançamento: 2012 (2012)
Gênero: Literatura Infanto-juvenil
Onde comprar: Amazon (Saraiva)
Links: Skoob (Skoob)
Avaliação: ★★★

Sinopse: Peter Pan quer ser eternamente menino. Na história criada pelo escritor escocês J. M. Barrie, Peter e a fada Sininho levam seus amigos Wendy, João e Miguel para conhecer o lugar em que vivem, a Terra do Nunca, onde o tempo não passa. Uma sucessão de aventuras espera a turma. Eles vão se deparar com um navio pirata e ter que enfrentar o temível Capitão Gancho, conhecer a aldeia dos índios e os meninos perdidos.

Continuando as resenhas de clássicos infanto-juvenis (já temos resenhados Mary Poppins e O Mágico de Oz), apresento aqui a história de Peter Pan, que muitos podem ter tido o primeiro contato pelo filme da Disney de 1953, como eu.

Meu primeiro contato literário com essa obra do autor escocês James Matthew Barrie foi com a edição comentada e ilustrada da Zahar, Peter Pan, lida em julho do ano passado. No meu aniversário esse ano eu ganhei a edição da Cosac Naify da mesma história, cujo título é Peter e Wendy.

Os livros têm traduções diferentes, a da Zahar foi feita pela Julia Romeu e a da Cosac Naify por Sergio Flaksman. A história é a mesma, mas por conta dessa diferença algumas expressões são diferentes. Estou apresentando ambas as edições, porque gosto muito da apresentação feita pela Flavia Lins e Silva na edição da Zahar e do projeto gráfico da Cosac. Para constar, as citações são provenientes de Peter e Wendy, que eu li por último.

Creio que a maioria conheça a história de como Wendy e seus irmãos, John e Michael, vão para a Terra do Nunca com Peter Pan viver inúmeras aventuras ao lado dos meninos esquecidos, dos guerreiros pele-vermelhas e dos piratas do Capitão Gancho.

Peter Pan, assim como O Mágico de Oz e Alice, tem um enredo do tipo home-away-home (casa-longe-casa) em que as crianças, para que possam viver aventuras, saem da segurança do lar, e longe dos pais enfrentam sozinhos os problemas e ao retornarem estão transformados.

A edição da Zahar faz parte da coleção clássicos da Zahar, com comentários, ilustrações originais e capa dura!
No caso de Peter Pan, essas aventuras e esse amadurecimento acontece na Terra do Nunca. Um lugar mágico que segundo o autor para cada um que a visita é de maneira diferente.

“Claro que as Terras do Nunca variam muito. A de John, por exemplo, tinha uma lagoa sobrevoada por flamingos que ele costumava caçar a tiros, enquanto a de Michael, que era muito pequeno, tinha um flamingo sobrevoado por lagoas”. [p.14, Edição Cosac Naify]

São apenas as crianças que podem desembarcar nas praias da Terra do Nunca e nós, adultos, ainda relembramos o som das ondas, mas não poderemos mais visita-la. E são crianças, em sua maioria, que habitam a ilha.

Peter Pan é uma delas. Uma criança que ainda tem seus dentes de leite, não lembra de nada e por isso vive suas aventuras como se fosse a primeira vez. Uma criança que não cresce, e não quer crescer, como deixa claro inúmeras vezes ao longo da história, e vive num eterno faz de conta.

“ – Não quero crescer nunca! – disse ele, exaltado. – Quero continuar a ser menino para sempre, brincar e me divertir”. [p.41, Edição Cosac Naify]

Em sua apresentação Flavia Lins comenta que esse receio de crescer por parte de Peter Pan, justifica-se pela apresentação dos personagens masculinos adultos (Sr. Darling, Capitão Gancho), que são mostrados por J.M.Barrie como sendo tediosos, patéticos, desvalorizados e ridicularizados.

Essa é a edição da Cosac Naify, com uma infinitude de cores de páginas. Que aparentemente aleatórias, não o são. Por exemplo, quando escurece na Terra do Nunca as páginas ficam com um tom de azul escuro lindo!
E aquele toque final, que sempre demonstrou o cuidado nas edições da Cosac Naify: a capa em vegetal azul vira uma lanterna que você pode usar.
Ao contrário dos personagens masculinos, as mulheres da história são muito mais valorizadas. Peter Pan, que assim como os meninos esquecidos não tem mãe, vê na Sra. Darling – mãe de Wendy – um ideal de mãe. A Sra. Darling nos é apresentada como a mulher idealizada de 1900 (época em que o livro é escrito, sabemos que atualmente isso já não é mais válido), aquela vive em função do lar e dos filhos.

A personagem da Wendy, seguindo o proposto da mulher idealizada da Sra. Darling, fica extremamente lisonjeada pela proposta de Peter de que ela brincasse de ser sua mãe e dos meninos esquecidos. Wendy sabe costurar, colocaria os meninos para dormir e principalmente, contaria histórias para eles.

“A diferença entre Peter e os outros meninos, àquela altura, era que eles sabiam 
que era tudo faz de conta, enquanto para Peter o faz de conta e a 
realidade eram exatamente a mesma coisa”. [p.93, Edição Cosac Naify]

Peter Pan vê tudo isso como uma grande brincadeira, como um faz de conta. Mas Wendy o vê de uma maneira mais romântica e Peter não. Esse é um dos muitos contrastes entre Peter e Wendy. Além disso, Wendy tem mãe e uma casa, ao passo que Peter não. Outro personagem que vê Peter romanticamente é a fada Sininho e novamente Peter não percebe.

As fadas criadas por Barrie são um capítulo à parte. Elas surgem a partir do primeiro riso dos bebês e elas só existem pois acreditam nelas. E como nós seres humanos elas têm sentimentos, podem ser boas ou más. Como a Sininho, que ao longo da história demonstra ciúmes, raiva, vingança e amor.

O nome Sininho é a tradução feita por Monteiro Lobato para a personagem, que no original inglês chama-se Tinker Bell. “Tinker significa funileiro, bell é sino. Talvez então Tinker Bell seja o som das batidas nas panelas, quase um sino (...)”. (p.16 – Edição Zahar)

Além dessa contribuição icônica de Barrie para o nosso imaginário, as fadas, ele também foi criador de um dos vilões mais conhecidos: Capitão Gancho. Temido pelo até mesmo pelo famoso Long John Silver (pirata criado por Robert Louis Stevenson em A Ilha do Tesouro), com seu gancho substituindo uma das mãos. Aparentemente mete medo em todo mundo, mas como todo ser humano tem seus próprios medos também, como o crocodilo que o persegue em busca de mais carne saborosa.

Peter Pan é daquelas histórias que fazem parte do nosso imaginário desde que nos conhecemos por gente. E não há como não se encantar pelas crianças cuja crença no impossível nos transporta para uma aventura deliciosa. Livro recomendadíssimo.

“  E por que não sabe mais voar, mamãe?
 Porque virei adulta, meu anjo. Quando as pessoas crescem, esquecem como se voa”.
[p.247, Edição Cosac Naify]

Alguém já leu, vai ler? Qual das duas edições vocês preferem?
Deixem seus comentários.


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

2 comentários

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22 de junho de 2016 14:36 delete

Essa capa da editora Zhaar é MUUITO LINDAAAA
alias todas as capas da editora sap lindas, principalmente essa dos contos da disney :3 ja viu as outras? sou apaixonada! Ah, e como sempre amei sua resenha <3
http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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23 de junho de 2016 09:47 delete

Obrigada pela visita!!
As da Zahar também são lindas de morrer! Teria todas!
Beijos

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