Resenha: O Cemitério de Praga, Umberto Eco

18:00:00 2 Comments A+ a-

Título: O Cemitério de Praga
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
Páginas: 479
ISBN: 978-85-010-9284-7
Lançamento: 2012
Gênero: Ficção italiana
Onde comprar: Livraria Cultura - Saraiva
Links: Skoob
Avaliação: ★★★
Sinopse: Personagens históricos em uma delirante trama. Trinta anos após O nome da rosa, Umberto Eco nos envolve, mais uma vez, em uma narrativa vertiginosa, na qual se desenrola uma história de complôs, enganos, falsificações e assassinatos, em que encontramos o jovem médico Sigmund Freud (que prescreve terapias à base de hipnose e cocaína), o escritor Ippolito Nievo, judeus que querem dominar o mundo, uma satanista, missas negras, os documentos falsos do caso Dreyfus, jesuítas que conspiram contra maçons, Garibaldi e a formação dos Protocolos dos sábios de Sião.

“- Eu sempre confio nos meus clientes, porque só presto serviço a pessoas honradas.
- Mas, se, por acaso, o cliente tiver lhe mentido?
- Então foi ele quem cometeu o pecado, não eu”. [ECO, 2012: p.99]

Recentemente terminei a leitura do meu segundo romance de Umberto Eco: o romance histórico O Cemitério de Praga. O primeiro lido foi O nome da Rosa (resenha do blog aqui) e posso afirmar que são livros muito diferentes. Claro, a narrativa densa e rica de Umberto Eco permeia os dois livros, mas O Cemitério de Praga é muito mais difícil de ler, pois durante a narrativa não fica claro para onde se encaminha o fim (em O Nome da Rosa temos a resolução do mistério dos assassinatos).

A trama se desenvolve em torno da perda de memória dos dois personagens principais, o abade Dalla Picola e Simonini, em um dia de março de 1897 e a tentativa de ambos descobrirem o que aconteceu. Os dois se comunicam por um diário que mantem, onde a cada dia escrevem sobre os acontecimentos que levaram ao fatídico dia de março. Temos ainda o narrador, que com ajuda do diário escrito, conta alguns trechos dos acontecimentos ao leitor. Para facilitar a leitura, a edição se utilizou de três fontes tipográficas: cada uma representando a fala de um dos três personagens já citados.

Simonini é um fraudador de documentos e papéis em geral, que já prestou serviços para diversas entidades com diversos objetivos. Considero ele um personagem desprezível. Suas falas xenófobas, preconceituosas, machistas e principalmente antissemitas são difíceis de engolir. Foi uma experiência e tanto sair da zona de conforto e ler sobre um personagem que tanto me desgostou. Apesar disso, seu caráter odioso faz sentido na história e no contexto no qual se insere.

Oposto a ele temos o abade Dalla Picola, um religioso que assim como muitos nessa época despreza os jesuítas e aqueles que praticam a maçonaria.

Juntamente com os personagens principais acima apresentados, e os únicos de fato fictícios, temos nomes conhecidos da história, como Giuseppe Garibaldi e Sigmund Freud. Umberto Eco se utiliza de inúmeros fatos históricos que marcaram aquele período (alguns eu desconhecia, mas uma rápida pesquisa na internet explica muita coisa!) para criar uma trama delirante, como descrita na sinopse.

O Cemitério de Praga, local onde supostamente foi realizada a reunião dos rabinos citados nos Protocolos dos Sábios de Sião e lugar que dá título ao livro. (Fonte)
Guerras na Itália, a Comuna de Paris, os documentos falsificados que incriminaram o oficial francês Alfred Dreyfus como espião, os Protocolos dos Sábios de Sião (documentos inverídicos que serviram de inspiração para Hitler na criação dos campos de concentração), são apenas alguns.

O excesso de fatos históricos e descrições torna a leitura densa e difícil (como faz falta uma edição comentada), a ponto de ter que ler algumas partes novamente. Aliado a isso, as conspirações e inúmeros casos de espionagem no livro só foram fazer sentido no final do livro. Se destaca o arsenal de artifícios dos personagens para chegarem aos seus objetivos de desmascarar um complô, de acusar um determinado indivíduo ou grupo de indivíduos. De assassinato, fraude a controle da imprensa.

“Saiba o senhor que o único modo de controlar uma seita subversiva é assumir seu comando ou, ao menos ter na folha de pagamento os chefes principais”. [ECO, 2012: p.188]

A leitura apesar de difícil é recheada de descrições incríveis de Umberto Eco, sejam dos detalhes históricos, dos pratos servidos e comidos durante a história. Para quem quiser encarar, é uma leitura boa e reflexiva, pois estamos diante de personagens nem um pouco politicamente corretos.

“- Concluamos esta nossa reunião – dizia a 13ª voz. – Se o ouro é a primeira potência desse mundo, a segunda é a imprensa”. [ECO, 2012: p.228]

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27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

2 comentários

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26 de julho de 2016 21:44 delete

Ainda não li nenhuma obra de Umberto Eco. Tenho "Número Zero" mas ainda está na fila interminável... rsrs... parabéns pela resenha! bjs

Amor por Livros

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2 de agosto de 2016 10:07 delete

Olá Renata! Obrigada pela visita!
Recomendo muito a leitura de Umberto Eco. Número Zero está na minha lista também!
Beijos

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