Resenha: O Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo

21:00:00 4 Comments A+ a-

Título: O Corcunda de Notre Dame
Autor: Victor Hugo
Editora: Zahar
Páginas: 495
ISBN: 978-85-378-1088-0
Lançamento: 2013
Gênero: Literatura francesa
Onde comprar: Saraiva - Livraria Cultura
Links: Skoob
Avaliação: ★★★

Sinopse: Na Paris do século XV, a cigana Esmeralda dança em frente à catedral de Notre Dame. Ao redor da jovem e da igreja, dançam outros personagens inesquecíveis - como o cruel arquidiácono Claude Frollo, o capitão Phoebus, a velha reclusa Gudule e, claro, o disforme Quasímodo, o corcunda que cuida dos sinos da catedral. Com uma trama arrebatadora, que tem a cidade de Paris como bem mais do que um mero pano de fundo, Victor Hugo criou um dos grandes clássicos do romantismo francês, de leitura irresistível. Essa edição comentada e ilustrada inclui tradução, apresentação e notas de Jorge Bastos Cruz e mais de 50 ilustrações originais. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

Victor Hugo, conhecido também por ter escrito ‘Os Miseráveis’ (minha atual leitura e futura resenha), começa ‘O Corcunda de Notre Dame’ da seguinte maneira:

“Faz hoje trezentos e quarenta e oito anos, seis meses e dezenove dias que os parisienses foram acordados ao som de todos os sinos, a plenas badaladas, na área que compreendia a Cité, a Universidade e a Cidade”. [p.23]

O livro escrito em 1831, se inicia no ano de 1482: estamos no contexto da Idade Média francesa.

O livro custa a começar, e os personagens que tanto conhecemos da adaptação da Disney (eu assisti ao filme antes mesmo de saber que existia o livro, porque afinal ler O Corcunda de Notre Dame aos cinco anos de idade é pedir demais né!).
Abandonei a leitura do livro duas vezes, e em ambas foi por volta da página 200, depois de uma extensa descrição da cidade de Paris. Fiz um trato comigo mesma, quase que uma resolução de ano novo, de que terminaria de ler o livro e na terceira vez com o livro na mão, foi. Terminei.

Eu costumo gostar de livros que contenham descrições detalhadas sobre o tema, lugar abordados na narrativa, e Victor Hugo faz isso bastante em vários trechos de ‘O Corcunda de Notre Dame’. O que de fato me incomodou foi que dois capítulos inteiros foram dedicados à descrição da cidade de Paris, e para mim isso deu uma quebrada na narrativa. As páginas seguintes são lidas com muito mais fluidez. Se algum dia for reler o livro, vou pular a descrição (me desculpe Victor Hugo!).

Fonte: Medieval Histories
Além de descrições impecáveis, podem ser longas, mas não deixam de ser muito bem escritas, os personagens apresentados ao leitor são complexos e cada um vive seu drama particular, que se mistura ao drama dos outros, formando a narrativa que temos em ‘O Corcunda de Notre Dame’.

Temos Quasímodo, que foi adotado pelo arquidiácono Frollo após ter sido abandonado aos pés da Catedral de Notre Dame. É cocho, caolho e corcunda, e por isso considerado pela sociedade uma aberração. Ele cresce na Catedral e se torna sineiro da Notre Dame. Acompanhamos também o poeta pobretão Pierre Gringoire e o vaidoso capitão Phoebus. E por último, a cigana Esmeralda e sua fiel companheira a cabra Djali, que se apresentam nas ruas de Paris.

Para mim a relação desses 5 personagens vai muito além da disputa pelo amor de Esmeralda. A história que apresenta diversos tipos de amor: como o incondicional de mãe, o fraterno, o impossível, o doentio, o luxurioso, o profundo; é para mim muito mais que isso. O livro ‘O Corcunda de Notre Dame’ tem como principal tema a cidade de Paris e um dos seus principais monumentos: a Catedral de Notre Dame de Paris. Vale lembrar que na época da escrita do livro a Torre Eiffel não havia sido construída ainda.

Victor Hugo escreve o livro para mostrar aos parisienses e franceses a importância do edifício religioso. São diversas as vezes que escreve de maneira direta sobre a importância da preservação dos ícones arquitetônicos de uma cidade, e de maneira indireta com a descrição que faz dos elementos góticos que compõem a catedral e sua centralidade no tecido urbano da Paris medieval.

Além desse retrato da cidade, Victor Hugo escreve sobre a sociedade parisiense do século XV. Ele ironiza e critica a justiça, retrata as diferenças sociais e suas relações, o autoritarismo do clero, o medo e consequente perseguição do desconhecido, tornando o livro um retrato da cidade de Paris no século XV.

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Quasímodo em uma das torres da Catedral, na adaptação da Disney para os cinemas.
O fim da narrativa é bem diferente daquela vista na adaptação de 1996 da Disney para os cinemas, e fica a reflexão de quão responsáveis somos pelos rumos que nossas vidas levam.

O que acharam da resenha? Leriam esse clássico da literatura? Deixe sua resposta nos comentários!

PS: Momento de diversão quando vejo qual o conteúdo da nota de rodapé n.119, que se tornou minha nota de rodapé favorita de todos os tempos: “Nicolas Flamel, que viveu no séc. XIV, é uma referência na história da alquimia. Reza a lenda que teria fabricado a pedra filosofal e o elixir da longa vida”.
Para mais informações consulte ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ feelings. :D


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

4 comentários

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24 de agosto de 2016 08:53 delete

Essas edições da Zahar são magníficas! Estou ensaiando comprar e ler Os Miseráveis...

bjs

Amor por Livros

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24 de agosto de 2016 22:40 delete

Oi Aline!
Tenho muita vontade de ler essa história, pelo menos o filme da Disney eu acho muito bom! Fiquei ainda mais curiosa agora, principalmente por você ter citado diferenças entre um e outro! Com certeza vou procurar por ele agora.
Beijos
http://www.blogleituravirtual.com/2016/08/entrevista-luisa-soresini-parte-03.html

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26 de agosto de 2016 10:59 delete

Oi Renata!
Obrigada pela visita!
Estou lendo Os Miseráveis e estou gostando mais que o Corcunda de Notre Dame!
Compre compre!
Beijos

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26 de agosto de 2016 11:01 delete

Oi Marina,

Obrigada pela visita!
Existem muitas diferenças entre o livro e o filme.
Como é uma história adulta adaptada para filme infantil as adaptações foram muitas e bastante profundas!
Vale super a pena ler pra observar essas diferenças!

Beijos

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