Resenha: Put Some Farofa, Gregório Duvivier

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Título: Put Some Farofa
Autor: Gregório Duvivier
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 206
ISBN: 978-85-359-2506-7
Lançamento: 2014
Gênero: Contos e Crônicas
Onde comprar: Saraiva - Livraria Cultura
Links: Skoob
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Dont repair the mess. The house is yours. I make question. Pardon anything. Go with god. Come back always. Publicada em Julho de 2014, a crônica que dá título a este volume, que cria uma conversa imaginária de um brasileiro com um gringo visitando o Brasil durante a copa, rapidamente se tornou um viral de internet, até ser comentada em artigo do Washington Post. Trata-se de uma amostra da verve humorística embebida de zeitgeist, crítica ferina e muito afeto de Gregorio Duvivier, um dos autores mais promissores do Brasil na atualidade. Reunindo o melhor de sua produção ficcional, Put some farofa traz textos publicados na Folha de S.Paulo e esquetes escritos para o canal Porta dos Fundos, além de alguns inéditos.

“Hello, Gringo! Welcome to Brazil. Não repara a bagunça. Don’t repair the mess”. [p.106]

Eu ainda lembro como hoje quando saiu a crônica ‘Pardon anything’ do Gregório Duvivier na Folha de São Paulo uns dias antes de começar a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Já acompanhava o autor na sua coluna semanal da Folha e nos vídeos do canal do Youtube ‘Porta dos Fundos’, do qual faz parte. O material selecionado e organizado no livro “Put Some Farofa” vem em sua maioria desses dois trabalhos (no fim do livro tem a lista de onde vem o que) e também há alguns textos inéditos.

Lembro como se fosse hoje, pois me diverti muito lendo a crônica. Gregório consegue por no papel de uma maneira muito hábil e se utilizando de todos os jeitos a língua que temos a disposição, e no caso da crônica o inglês, situações do dia-a-dia. Em ‘Pardon anything’ é sobre o encontro de um brasileiro e um estrangeiro, no qual o primeiro tenta explicar como funcionam nossas tradições, o que comer, o que fazer por aqui.

Algumas das crônicas são mais para o lado cômico como a que dá nome ao livro, outros porém são críticos, abordando religião, família, estudos e muitos outros temas. Gostei muito da forma como as crônicas são escritas: com um domínio da língua portuguesa. Há crônicas que tem apenas uma frase, outras que fazem uso dos diferentes significados de uma palavra.

“Golfinho: baleia extrovertida. Tubarão: golfinho sociopata”. [p.93]

“Eu queria que você quisesse ser o que eu queria antes de saber que era assim que eu queria que você fosse”. [p.23]

Há crônicas com muito sarcasmo, ironia, crítica ácidas. Algumas beiram o nonsense. Outras são mais politizadas. Ou tudo isso junto e misturado. Para cada crônica, texto, conto há uma capacidade de transmitir suas opiniões, reflexões, ideias para o leitor e um domínio da língua que é admirável.

Muitos dos textos eu já conhecia, mas foi excelente relê-los ou lê-los pela primeira vez como texto, pois alguns são vídeos do Porta dos Fundos. O livro pode ser lido mais lentamente, uma crônica por vez, ou como no meu caso, devorado em poucas horas. Fica recomendada a leitura, pois Gregório Duvivier demonstra uma completa noção do mundo ao seu redor e nos passa isso de maneira criativa e sensível.

“Obrigado pela atenção e, como diria Jesus Cristo, desculpe qualquer coisa”. [p.62]

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27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.