Resenha: Harry Potter and the Cursed Child, J.K.Rowling, J. Tiffany e J. Thorne

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Título: Harry Potter and the Cursed Child [Harry Potter e a Criança Amaldiçoada]
Autor: J.K. Rowling, John Tiffany and Jack Thorne
Editora: Little Brown [Editora Rocco]
Páginas: 343 [352]
ISBN: 978-0-7515-6535-5 [978-8-5325-3043-1]
Lançamento: 2016
Gênero: Fantasia, Peça de teatro
Onde comprar: Saraiva - Amazon
Links: Skoob [Skoob]
Avaliação: ★★★

Sinopse: A oitava história, 19 anos depois. Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

"Perfection is beyond the reach of
humankind, beyond the reach of magic. In every shining
moment of hapiness is that drop of poison: the knowledge
that pain will come again. Be honest to those you love,
show your pain. To suffer is as human as to breathe."
[ROWLING, TIFANNY, THORNE: p.275]

Ler um livro do Harry Potter depois de 9 anos, sim: Harry Potter e as Relíquias da Morte foi publicado em 2007, é voltar no tempo, sentir-se nostálgica. E foi essa a maior razão para comprar o livro já em inglês. A versão em português sai no fim do mês pela Editora Rocco (já está em pré-venda).

Muita coisa diferencia Harry Potter and the Cursed Child dos sete livros anteriores. A primeira e uma das mais importantes é que não é um romance, ou seja, a narrativa não está escrita em prosa, e sim na forma de um script de peça de teatro. (Como diz a capa, é um Special Rehearsal Edition Script). Não sei qual a familiaridade de vocês com esse tipo de texto, mas em um script estão os diálogos dos personagens, as descrições técnicas de cenários e o comportamento e ações dos atores em determinados momentos.

A peça está atualmente em cartaz no Palace Theatre em Londres e todos os ingressos já estão vendidos até o fim de 2017 e custam a bagatela de 140 libras (se comprar as duas partes juntas). A minha vontade de ir era enorme, mas não vai rolar, infelizmente.

Fachada do Palace Theatre em Londres. Sim, o lugar virou ponto turístico para pessoas que como eu não vão ver a peça! 
A peça e por consequência o livro do script dela é baseada em uma história original da J. K. Rowling e escrita por Jack Thorne, que é o roteirista. John Tiffany é o diretor da produção. Então, além de não ser em formato de romance, não é a mesma pessoa que escreve, e isso faz diferença. Os diálogos são pensados para se encaixarem nas cenas e como a peça é dividida em duas partes (você pode assisti-las separadamente) isso influencia em como a história é pensada. Além disso, fiquei muito curiosa em saber como alguns efeitos como a mudança de cenários e as mágicas acontecem na apresentação.

Quanto a história, ela começa onde parou o epílogo de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Estamos na King’s Cross Station, na plataforma 9 ¾ com Harry Potter e Ginny Weasley se despedindo dos filhos, Albus e James, que estão para começar o ano letivo em Hogwarts.  Temos novamente o diálogo entre Harry e Albus sobre a preocupação do menino em ser selecionado para a Sonserina. Vemos também Ron e Hermione se despedindo de Rose, e somos apresentados a Scorpius, filho de Draco Malfoy. É a partir daqui que começa a trama de Harry Potter and the Cursed Child.

O enredo apresenta alguns pontos interessantes, como a amizade que surge entre Albus e Scorpius, filhos de Harry e Draco, depois que Albus é selecionado para ser da Sonserina e como os pais, arqui-inimigos no passado lidam com essa nova dinâmica. Outros personagens antigos aparecem, como Hermione que está simplesmente maravilhosa como Ministra da Magia e Ron, que infelizmente para mim está bastante descaracterizado, e vou explicar por que.

Existe uma diferença bastante grande entre o personagem Ron dos livros e o dos filmes. Nos livros Ron é muito mais ativo, presente nas decisões e nas ações que levam ao fim do período de Voldemort. Já nos filmes, ele fica em segundo plano em muitas coisas, se tornando em alguns momentos o alívio cômico do trio. E é essa linha que é seguida para o personagem na peça. Ron se tornou um bobão e achei isso uma pena. Acredito que a opção por dar uma espécie de continuidade com o filme tenha sido de propósito, pela semelhança de produção de texto e isso se nota também na semelhança de diálogos de algumas cenas com as respectivas cenas do filme.

Outro ponto bastante interessante e o que foi que acabei gostando mais, foi a sensação de realidade que a família Weasley-Potter me passou. Harry e Ginny e seus filhos não são pintados como a ‘família Doriana’ (obrigada Ceres por essa referência maravilhosa!), feliz e funcionando bem. Pelo contrário; Albus sofre com o fato de que é filho do famoso Potter e Harry não sabe como lidar com isso. Harry também não sabe lidar bem com o fato de seus filhos serem tão diferentes um do outro e a relação casa/emprego também é abordada (também na família de Ron e Hermione).

Além disso a história tem alguns furos grandes, como as constantes viagens no tempo. Qualquer um que tenha lido mais a respeito, visto filmes sobre isso, sabe que a maneira como se dá na peça não é como funciona; tudo nela é bastante simplificado. Talvez por ser uma peça de teatro e por consequência tenha um tempo reduzido os pormenores da viagem no tempo não tenham como ser desenvolvidos. Por mais que as possiblidades apresentadas tenham sido divertidas de como as coisas poderiam ter acontecido se uma coisinha desse errado ou fosse feita diferente, o todo não me convenceu.

Acredito que também por se tratar de uma peça a dinâmica temporal é bem diferente. Temos pulos de 1 ano de uma cena para outra ou até mais de um ano em uma mesma cena para dar mais velocidade a história. Para quem assiste à peça isso não deve ser estranho, mas para quem lê, essa aceleração incomoda.

E por fim o final, é a coisa mais maluca que eu vi! É de uma ‘forçação de barra’ incrível. Eu definitivamente não gostei e me passou a sensação de que mesmo depois de 8 anos a J. K. Rowling não conseguiu pensar em algo inovador para uma história e teve que recorrer ao modelo que ela já conhecia tão bem e sabia que funcionava.

No geral, Harry Potter and the Cursed Child é um livro que entretém por suas horas de leitura e apenas. Vale a pena ter na coleção, vale. Afinal é o encerramento de uma era de ouro (nós aqui do blog somos todos fissurados por Harry Potter), nostalgia é um sentimento gostoso e qualquer fã de Harry Potter precisa saber o que acontece.

O que acharam? Vocês já leram, estão esperando o lançamento no Brasil?
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27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.