Resenha: A Elegância do Ouriço, Muriel Barbery

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Título: A Elegância do Ouriço
Autor: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 352
ISBN: 978-85-359-1177-0
Lançamento: 2008
Gênero: Ficção - Literatura francesa
Onde comprar: AmazonLivraria Cultura - Saraiva
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Avaliação: ★★★★★
Sinopse: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou por que não? duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A "Elegância do Ouriço", seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

"O importante não é morrer nem em que idade se morre,
é o que se está fazendo no momento em que se morre". [BARBERY, 2008]

“A Elegância do Ouriço” foi um livro recomendado por uma grande amiga minha. Aquela recomendação que transborda empolgação e emoção: “Você precisa ler!” Pois eu obedeci e li.

No meio da minha leitura precisei pesquisar mais sobre a autora, pois queria saber quem era o ser maravilhoso que dava voz a essa história incrível. Acontece que Muriel Barbery é professora de filosofia; nasceu no Marrocos, mas cresceu na França, e morou um período no Japão. E as coisas ficaram muito claras depois disso.

Muriel Barbery usa todo seu arsenal de conhecimento para montar uma narrativa que é ao mesmo tempo tocante, delicada, reflexiva. A história é narrada alternadamente por duas personagens.
A primeira é Paloma Jousse, uma (pré?) adolescente de 12 anos que mora com seus pais e sua irmã em um apartamento gigantesco (eu considero 400m² gigantesco) e que sofre com o fato de que sua família não a compreende por completo. Ela é inteligente e dona de um diário em que escreve seus pensamentos mais profundos e observações do mundo ao seu redor e está se encaminhando para o fim de um projeto: seu suicídio.

E a segunda é Renée Michel, a concierge do prédio em que Paloma mora. O número 7 da Rua de Grenelle é um prédio luxuoso no coração de Paris e seus moradores não poderiam ser mais tradicionais, aquele clichê de gente rica que não quer se misturar com os demais e se preocupa apenas com seu próprio umbigo. Acontece que esses moradores esperam que a concierge se encaixe nesse mundo ideal deles, mas é exatamente aí que está a beleza da criação de Muriel Barbery.

A sra. Michel vai descrevendo no início do livro o que faz uma concierge uma concierge e nos mostra como ela, com seus conhecimentos vastos de literatura russa, pintura holandesa, música, filmes japoneses, e muito mais, é tudo o que esses moradores menos esperam que ela seja.


A Sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. [BARBERY, 2008]

Renée Michel é juntamente com Paloma a observadora desse pequeno mundo e é com elas que Barbery vai introduzindo de maneira delicada as reflexões que marcam a narrativa. Nos deparamos com questionamentos de aparências, razões de ser, da existência da beleza, a importância da arte, da música do cinema. São essas pequenas doses de filosofia, escritas de uma maneira muito acessível, que fizeram com que esse se tornasse um dos meus livros favoritos de 2016. A leitura mistura choro e riso e aqueles momentos de suspiro e do olhar para o nada para pensar no que você acabou de ler antes de continuar com a leitura.

E o status quo do número 7 da Rua de Grenelle muda com a chegada de um novo morador: o japonês Kazuo. É ele que consegue penetrar nos pensamentos mais profundos dessas duas moradoras e consegue ver além das aparências. A relação de amizade que surge entre os três é encantadora. É um livro incrível que todos deveriam ler. Passo a recomendação que ganhei adiante.

O livro, que esteve na lista dos mais vendidos na França por 30 semanas quando foi lançado e foi adaptado para os cinemas em 2009, sob o título de “Le Herisson” e dirigido por Mona Achache.

Ficaram com vontade de ler? Já leram? 
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27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.