Resenha: Persépolis, Marjane Satrapi

21:00:00 8 Comments A+ a-

Título: Persépolis [Persepolis]
Autor: Marjane Satrapi
Editora: Quadrinhos na Cia [Vintage]
Páginas: 352 [343]
ISBN: 978-85-359-1162-6 [978-00-995-2399-4]
Lançamento: 2007 [2006]
Gênero: Autobiografia, Quadrinhos
Onde comprar: Amazon - Saraiva
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.


Persépolis, a história em quadrinhos da ilustradora Marjane Satrapi é o segundo livro lido do clube do livro da Emma Watson, o Our Shared Shelf (o primeiro livro foi Mom & Me & Mom da Maya Angelou, confira a resenha), e será o 100º livro resenhado por nós no Blog.

Um livro importantíssimo para esse marco do Books & Impressions, e um livro que me abriu os olhos principalmente para duas coisas:
1. Histórias em quadrinhos também são livros.
Eu raramente leio quadrinhos, porque não gosto da combinação ilustração e texto. Não gosto de como a leitura flui. Mas ao mesmo tempo gosto muito de ver o traço do artista e ver como isso reflete na história.
2. Eu não sei nada sobre o Oriente Médio.
A história de Marjane Satrapi se passa no Irã dos anos 1970 e 1980 e tudo foi muito inesperado, porque é completamente diferente do clichê Oriente Médio que vemos retratado nos maiores jornais. E eu não tinha ideia da cultura Iraniana.

Vamos ao livro.

"One can forgive but one should never forget". [Marjane Satrapi]

Emma Watson quando indicou o livro para leitura no Our Shared Shelf em Junho desse ano disse:

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"Pelos jovens (nem sempre inocentes) olhos e mente de Marji vemos o desdobramento de uma parte turbulenta da história, e somos testemunhas do tremendo impacto que eventos e políticas nacionais e globais podem have mesmo nos momentos mais intímos de uma vida pessoal. Experimentamos com Marji os seus sonhos e lutas diárias, de contenda familiar à luta com com fé e costumes religiosos. Somos tragados pelas ansiedades dos pais e as memórias de um outro tempo de sua avó. E temos uma sensação muito real de como era ser mulher no Irã durante o período intenso de transição cultural e política" (Tradução livre: Goodreads Our Shared Shelf: June book, Persepolis).
Ela não poderia ter descrito melhor. O livro, que é uma autobiografia, é divido em duas partes, a primeira é a história de uma infânica (a de Marj Satrapi) e a segunda é a história de um retorno, que é quando Marjane retorna para o Irã depois de um período na Europa.

A leitura é fácil, por estar apresentado no formato de quadrinhos, mas isso em nada significa que o conteúdo não seja denso. Eu por exemplo preferi ler o livro aos poucos, porque percebi que le-lo de uma vez seria 'pesado', com uma carga emocional muito grande de uma vez só.

A primeira parte do livro aborda muitos fatos da história do Irã nos anos 1970, mas lembrando que é a uma pequena parte de um universo que desconhecemos. É um ponto de vista, uma experiência, de uma pessoa. E por sabermos tão pouco sobre o Irã dos anos 1970, é tão importante.

Chamam a atenção os relatos sobre o Tio Anoush, e como ele fugiu e fez parte da oposição. Sobre os bombardeios e o receio pela segurança de família e amigos. Sobre como cada detalhe da vestimenta por exemplo indicava se alguém era fundamentalista ou uma mulher moderna. São esses detalhes que dão uma ideia tão boa dos anos da infância de Marjane.

A segunda parte, destaca mais o cotidiano de uma mulher no Irã nos anos 1980, e aqui fica claro a influência dos pais de Marjane. Eles sempre incentivaram os estudos de Marj e ressaltavam a importância de uma educação ampla. O que está em sua mente é algo que ninguém pode tirar de você, se você estuda você pode ser o que quiser. É nessa parte do livro que fica mais claro como era ser uma mulher no Irã e o cotidiano de estudos, família, amigos, relacionamentos.

Em entrevista para a Vogue, realizada pela própria Emma Watson (entrevista completa aqui) Marjane afirma que uma das maiores contribuições de sua mãe foi tratá-la como um ser humano, não como uma mulher, pois para ela você é capaz de qualquer coisa que seja humanamente possível, pois você é um ser humano. E todos nós somos seres humanos antes de tudo. Recomendo a leitura completa da entrevista, que trata de muitas questões feministas e que não necessariamente estão no livro.

Persépolis, por ser uma história em quadrinhos, não seria um livro que escolheria ler. Mas fico extremamente feliz que o li. A história é envolvente e esclarecedora e merece ser lida sim. Passo com entusiasmo a recomendação adiante.

Alguém já leu? O que achou? Quer ler?
Deixe seu comentário!


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

8 comentários

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21 de dezembro de 2016 10:27 delete

Oi, Aline!
Eu adoro esse clube da Emma. Essa menina é meu orgulho <3
Eu tenho muita vontade de ler essa HQ, mas nunca consigo uma promoção bacana pra comprar :(
Beijos
Balaio de Babados
Participe do Natal Literário
Participe da promoção de três anos de Um Oceano de Histórias
Participe do Sorteio de Final de Ano

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Carla Azevedo
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21 de dezembro de 2016 10:29 delete

eu adorei esse livro, demorei um pouco pra ler mas gostei muito,
a forma como ela narra a historia, quando ela fica doente no hospital é minha parte favorita, pois é naquele momento que percebemos o quão fragil somos
http://dose-of-poetry.blogspot.com.br/

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Naty Araújo
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21 de dezembro de 2016 16:04 delete

Oi, Aline.
Eu sou fã de histórias em quadrinhos, então já pode imaginar como estou desejando o livro após essa resenha, né?
Adorei.

http://www.revelandosentimentos.com.br/

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22 de dezembro de 2016 07:47 delete

Oi Luiza!

Emma Watson = orgulho!!! A gente stalkeia ela com gosto (eu pelo menos! hehehe).
Leia leia! E fica de olho no site da cultura, as vezes rolam umas promoções específicas da Cia das Letras. E já pensou procurar o livro num sebo? Eu ultimamente só tenho comprado livros usados!
Obrigada pela visita!

Beijos

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22 de dezembro de 2016 07:48 delete

Oi Carla!

Obrigada pela visita!
Acho que cada um se identifica mais com uma parte da história. Eu por estar morando em outro país, me identifiquei demais com as dificuldades dela de adaptação. O livro é maravilhoso mesmo!

Beijos

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22 de dezembro de 2016 07:49 delete

Oi Naty!

Leia! Não irá se arrepender! ;)
Ele também é referência de quadrinhos, pelos desenhos e pela temática! É um 'must have' para quem curte!

Obrigada pela visita!

Beijos

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22 de dezembro de 2016 09:23 delete

Oi, Aline!
Estou querendo ler Pesepolis faz muito tempo, mas ainda não consegui comprar...
adoro quadrinhos e esse, por trazer uma temática mais aprofundada, sempre me chamou muito a atenção, ainda mais porque ultimamente estou tentando ler quadrinhos que não sejam de super-heróis hahaha
Adorei o post, beijoss
Vida em Marte

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22 de dezembro de 2016 09:51 delete

Oi Kathleen!

Obrigada pela visita! Infelizmente a maioria dos quadrinhos que eu conheço é de super herois. Eu estou tentando ler mais quadrinhos, to sentindo que to perdendo não lendo hehehe.

Beijos

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