Resenha: How to Be a Woman?, Caitlin Moran

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Título: Como Ser Mulher [How to Be a Woman]
Autor: Caitlin Moran
Editora: Editora Paralela [Random House]
Páginas: 240 [312]
ISBN: 978-85-655-3009-5 [978-00-919-4074-4]
Lançamento: 2013 [2011]
Gênero: Biografia, Não-Ficção, Feminismo
Onde comprar: Amazon - Saraiva
Links: Skoob [Skoob - GoodReads]
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Nesta obra de humor e militância, a jornalista Caitlin Moran rememora suas experiências mais marcantes como mulher, da adolescência à maturidade, e busca abrir um novo caminho para o feminismo ao tratar de temas caros à mulher moderna. A partir de um péssimo aniversário de treze anos, ela fala sobre adolescência, trabalho, machismo, relacionamentos, amor, sexo, peso, maternidade, aborto, moda, compras e modelos de comportamento, sempre com um olhar crítico e muito humor. Nesta mistura de livro de memórias e manifesto feminista, as mulheres podem reconhecer coisas que fizeram, pensaram e disseram.

How To Be a Woman de Caitlin Moran é mais um dos livros lidos que eu tirei da lista recomendada pela Emma Watson no seu clube de leitura, o Our Shared Shelf. É o quarto da lista (foi o livro do mês de abril de 2016) e o fato de que a Emma descreveu a leitura dela desse livro como sendo recheada de risadas (ela leu o livro num vôo de Londres para Nova Iorque), colocou ele no topo da pilha das leituras atrasadas do clube de leitura.

E ele foi o primeiro livro que terminei e que faz parte do meu desafio de #leiamulheres2017 (que eu contei pra vocês nesse post aqui!).

"Any action a woman engages in from a spirit of joy, and within a similarly safe and joyous environment, falls within the city-wall of feminism. A girl has a right to dance how she wants when her favourite record comes on". [p.174]

O livro é descrito como sendo um divertido manifesto feminista, e apesar de ter dado algumas risadas durante a leitura, porque realmente não tem como não, a sensação que fica no fim da leitura foi: gente, ainda tem muita coisa pra fazer!!!

Descobri faz alguns anos o real significado de minha mãe se entitular feminista. Cresci com ela dizendo isso, mas nunca entendia o que isso de fato significava; não era algo que se discutia em casa (analisando agora ela simplesmente agia como uma feminista - minha mãe é um ser superior!), na escola.

Foi durante os meus anos na faculdade e com o crescimento que o próprio movimento teve no Brasil nos últimos anos (graças à internet e as redes sociais) e com a consequente discussão mais ampla do assunto, que o feminismo passou a ser pra mim mais do que apenas mulheres lutando pelo seu direito de voto, direito de trabalhar, a emancipação com a pílula e outras coisas que acabam aparecendo também nos livros de história.

O feminismo no século 21 não é mais sobre essas lutas. Essas conquistas (obrigada mulheres que lutaram por isso décadas atrás) são extremamente importantes, mas ainda há muito o que fazer. O sexismo, machismo, ou a palavra que para você resume melhor o que nós mulheres sofremos todos os dias está em muita coisa do nosso dia-a-dia e que muitas vezes não paramos para pensar porque a gente faz, pensa ou reage.

Sim, coisas simples como depilação, sexo, casamento, filhos, carreira; cada um tem um lado sexista e é sobre isso que Caitlin Moran escreve de uma maneira que me deixou sem fôlego. Sem fôlego porque eu li o livro em um dia, e sem fôlego só de pensar no cansaço que dá em combater cada uma das atitudes discutidas pela autora.

O livro está organizado em temas e que seguem mais ou menos, porque aqui depende de você e sua evolução, o caminho que uma criança/adolescente percorre ao se tornar mulher. A primeira menstruação, os pelos pubianos, o conhecimento do seu próprio corpo, moda, a cultura ao padrão de beleza.

O que no começo parece incomodar é o constante uso do Capslock no texto, mas mais pro fim do livro essa presença diminui, quase que como atingindo a maturidade tanto na escrita como em idade, Caitlin já não é mais adolescente e jovem e não necessita gritar para ser ouvida ou para desabafar. Os assuntos discutidos no fim do livro, também parecem mais sérios, ou melhor, são assuntos considerados tabu: por que ter filhos, por que não te-los, aborto, .

Não foram poucas as vezes que me identifiquei com o que Caitlin tinha para dizer. Foram coisas que eu já fiz, deixei de fazer. Foram coisas que eu já pensei e discuti com amigas, família. Pode ser que você não concorde com ela, ou até mesmo não se identifique, afinal ela é uma mulher branca, classe média, cisgênero e hetero. Mas isso não significa que você não deva ler esse livro.

Ele é um must read porque quem se intitula feminista, como eu, e os que não (seja por desconhecimento do movimento ou qualquer outra razão), em resumo: todo mundo, precisa discutir porque raios mulheres fazem mais cirurgias plásticas que homens, porque mulheres se preocupam em geral mais na preparação de um encontro.

Porque são por trás dessas atitudes que desobrimos e entendemos o quão fundo o machismo está enraizado no nosso dia-a-dia e o quanto não óbvio isso poder ser. E por essa razão, a luta continua para nós mulheres em sermos reconhecidas como seres humanos que são capazes de tudo, e que podemos e devemos fazer isso ou aqulo porque queremos e não porque a sociedade assim demanda ou espera de nós. #gogirls #girlpower


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.