Resenha: Luzes de Emergência Se Acenderão Automaticamente, Luisa Geisler

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Título: Luzes de Emergência Se Acenderão Automaticamente
Autor: Luisa Geisler
Editora: Alfaguara
Páginas: 296
ISBN: 978-85-796-2316-5
Lançamento: 2014
Gênero: Ficção
Onde comprar: Amazon - Saraiva
Links: Skoob
Avaliação: ★★★
Sinopse: Henrique mora nos subúrbios de Porto Alegre com os pais, e é um garoto que se considera, em todos os aspectos, uma pessoa normal. Está na faculdade, trabalha num posto de gasolina em meio período, tem uma namorada. Fala pouco, é introspectivo, mas cultiva amizades sólidas. Tudo muda quando seu melhor amigo, Gabriel, bate a cabeça num acidente banal e, pouco tempo depois, é hospitalizado em coma. Após uma cirurgia de emergência, não há muito que fazer por ele, dizem os médicos. Apenas esperar. E Ike, os pais de Gabriel, o irmão mais velho e os amigos aguardam o menor sinal de melhora. É então que, perto do Natal, Ike começa a escrever. São cartas em sequência ao amigo, como uma conversa, onde relata o que se passa na ausência do amigo. Para “quando tu acordar”, diz ele. “Queria saber quando tu ia acordar, como tu tá, o que tem acontecido, se tem algo que dê pra fazer”, escreve Henrique. As cartas são entremeadas por narrativas curtas, que dão a elas uma dimensão adicional: até que ponto Ike sabe realmente o que acontece à sua volta? O que pensam os outros?

"Eu me sinto próximo dessa gente, desse personagens. Eu não falo de ninguém pra fazer piada, mas por um medo de que vou me tornar essas pessoas". [Luisa Geisler, Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente]

Luzes de Emergência Se Acenderão Automaticamente, escrito pela Luisa Geisler foi um livro que surgiu na minha vida sem querer. Estava escutando o podcast "30:Min" do site Homo Literatus, que discutia o Dia Internacional da Mulher. Foi uma das recomendações de uma das convidadas (que infelizmente não lembro o nome) e por ser um livro nacional sobre a geração que eu faço parte e o título achei curioso. Decidi testar.

Foi um livro que me instigou diferentes sensações. Eu comecei a lê-lo e logo de início a leitura não fluía para mim. Deixei ele de lado por um tempo, e dei uma nova chance. E o que mais me incomodou foi a linguagem usada pelo personagem que acompanhamos desde o início.

Henrique, ou Ike, escreve cartas ao seu amigo, Gabriel, que está em coma no hospital. As cartas estão todas datadas nos anos de 2011 e 2012; ano em que eu tinha a mesma idade dos personagens, em torno de 21 anos. É através das cartas, que Ike conta a Gabs o que está acontecendo enquanto ele está deitado numa cama de hospital.

A linguagem utilizada portanto, é aquela que jovens como eu usavamos para nos comunicar. Eu deveria ter me identificado com isso? Não sei. Apenas sei, que no início soava artificial e não convencia. Ao longo dos capítulos, foi melhorando, me acostumei e consegui apreciar a delicadeza da história.

Esse é um livro que não tem ápice, não tem clímax e não tem um fim. Isso pode incomadar alguns, mas acho exatamente um dos pontos positivos do livro. As situações apresentadas por Ike e explicadas de forma bastante íntima (mesmo para dois grandes amigos) são situações com que todos lidamos quando estamos nessa fase da vida: decisões de carreira, relacionamentos, família, e um processo de auto-descoberta.

Além de essas questões que são comuns a todos, Ike precisa lidar com a perda, não perda de um querido amigo. Gabriel está em coma há alguns meses, e a maneira com que Henrique tenta lidar, acredito que num processo muito sutil e pessoal, com essa situação é escrevendo cartas ao amigo. O tom de intimidade e os detalhes que tudo é descrito, dá um tom de diário, algo que nunca deveria ser lido por alguém, e não cartas, as quais em algum momento seriam lidas.

Somos apresentados dessa maneira a um mundo de um jovem adulto, de uma maneira que eu acredito ser bem real, mesmo com a linguagem me incomodando de início. Um pedaço de uma vida, que tem momentos antes e terá momentos depois (por isso a ausência de um clímax), porque a vida é assim, constante. E acredito ser essa a conquista de Luisa Geisler com esse livro.

Alguém também já leu esse livro? O que achou?

PS: Apesar de esse livro ser escrito por uma mulher, eu li ele o ano passado, e portanto não faz parte da minha lista do desafio #leiamulheres2017.


27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

2 comentários

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1 de fevereiro de 2017 09:39 delete

Oi, Aline!
Adorei o título do livro, mas não sei se leria... Por não ter ápice nem nada, acho que seria uma leitura cansativa.
Beijos
Balaio de Babados
Promoção Quatro Anos de Minhas Escrituras

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5 de fevereiro de 2017 07:23 delete

Oi Luiza!
Então, o livro me atraiu pelo título também! E de fato a leitura é cansativa, mas vale a pena ler mesmo assim. É um bom livro pra ler ao mesmo tempo que outro (cansou, vai ler outra história!).
Obrigada pela visita!
Beijos

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