Resenha: The Power, Naomi Alderman

21:00:00 6 Comments A+ a-

Olá leitores, tudo bem?

Antes de mais nada um pedido de desculpas aos leitores do blog que não leem livros em Inglês. O livro que escolhi para a resenha de hoje ainda não foi lançado em português. Acredito (quero acreditar) que depois de ele ter ganho o Baileys Women’s Prize for Fiction 2017 alguma editora decida lançá-lo no Brasil.  Mas ele é tão bom, que decidi não esperar pelo lançamento para escrever a resenha.

Fonte: The Skinny

“The world is the way it is now because of five thousand years of
ingrained structures of power based on darker times when things
were much more violent and the only important thing was - could
you and your kin jolt harder? But we don’t have to act that way now.
We can think and imagine ourselves differently once we understand
what we’ve based our ideas on”.
[Naomi Alderman. The Power, p. 338]

The Power, foi um livro que eu namorei por umas boas semanas. Ele ficou por muito tempo exposto na vitrine da livraria pela qual eu passo todos os dias a caminho do trabalho. Foi inevitável não ficar curiosa pelo conteúdo, ainda mais que anunciavam ser uma mistura de “O Conto da Aia” [que já tem resenha aqui no blog] e Jogos Vorazes. Duas distopias que simplesmente adoro.

Comprei. Li. Me apaixonei. E finalmente estou aqui para recomendá-lo para vocês.

Naomi Alderman é uma autora inglesa que eu ainda não conhecia.  Seu primeiro livro, Disobedience, foi lançado em 2006. Em 2012, Naomi foi selecionada como protegé  de Margaret Atwood como parte do Rolex Mentor and Protegé Arts Initiative, um programa filantrópico internacional que une mestres com novos talentos de diferentes disciplinas para um trabalho criativo. Como resultado desse intercâmbio de ideias, The Power, o quarto romance de Naomi, uma distopia influenciada por e dedicada a Margaret Atwood.

“The Power” é na verdade o título do romance histórico que o personagem Neil Adam Armon escreve na distopia apresentada por Naomi Alderman. É intrigante pensar que é um personagem masculino que abre o livro que todos os jornais anunciaram ser feminista. O que esperar dessa história?

Acompanhamos desde o início quatro personagens: Roxy, uma adolescente inglesa parte de uma família de mafiosos; Margot, prefeita de uma cidade norte-americano; Allie, uma adolescente americana que vive com sua família adotiva; e Tunde, um jovem nigeriano que que seguir a carreira de jornalista.

É a partir da história de cada um que acompanhamos a descoberta de um poder que se manifesta apenas em adolescentes do sexo feminino. Jovens ao redor de todo o mundo se descobrem agora capazes de criar correntes elétricas com as próprias mãos, uma habilidade muito parecida com que as enguias possuem.

Um novo poder que passa a ser visto com cautela por uns, como uma forma de se libertar de abusos por outros, de conseguir posições de poder por terceiros. A estrutura de poder que guiou a humanidade por anos e que mantinha os homens numa posição superior está abalada. O que jovens e mulheres por todo o mundo irão fazer com essa nova habilidade?

O poder se espalha, e o caos acompanha. Em países da Ásia e África mulheres se rebelam e tomam o poder. Nos EUA, campos de treinamento são criados e surgem cultos que adoram o poder como sendo algo divino.

De início é empolgante. Sim mulheres no poder. Girlpower. Yes!
Situações que mulheres no mundo real sofrem diariamente por simplesmente não serem homens, são apresentados numa ótica completamente diferente. Ler em The Power que mulheres eram capazes de realizar os mesmo atos: de roubarem produção intelectual alheia, de estupros coletivos, de reduzir o papel do homem à reprodução é extremamente perturbador.

O que Alderman nos apresenta não é uma busca por igualdade de gêneros mas o completo inverso. São mulheres buscando vingança por séculos de abuso e o resultado disso não é nem um pouco glorioso. A estrutura de poder é invertida. Da metade pra frente do livro tudo soa absurdo pelo fato que é quase inconcebível imaginar o sexo masculino no papel que foi de mulheres há séculos. E é bem isso que faz de The Power um livro poderoso: é como se víssemos a humanidade por um espelho. Se é absurdo no livro é mais ainda na vida real.

O livro entrou para a minha lista de livros feministas: sim eu tenho uma. Fazer parte do “Our Shared Shelf” tem ajudado e muito (eu falei sobre o clube de leitura nesse post).
É um livro que todos devemos ler. Alderman criou uma história que é impossível de parar de ler (eu li em um final de semana), que te prende, fascina e ao mesmo tempo informa e te põe pra pensar. É uma distopia maravilhosa, apesar de ser perturbador.

Livro RECOMENDADÍSSIMO! 😍

O que acharam? Ficaram com vontade de ler?
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Título:
The Power
Autor: Naomi Alderman
Editora: Penguin Books
Lançamento: 2017
Páginas: 341
ISBN: 978-06-709-1996-3

Imagem de capa retirada de" The Skinny ".

27 anos, arquiteta, restauradora e nas horas vagas fotógrafa e masterchef. Bookaholic morando nas terras do Tolkien, Lewis, Rowling, Dahl, Carrol.

6 comentários

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13 de julho de 2017 11:47 delete

Estou a fim de começar a ler livros em inglês, mas não sei por qual começar, este é bom para iniciantes? Adorei a resenha e me deu vontade de ler o título.


Grande abraço,
www.cafeidilico.com

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14 de julho de 2017 07:15 delete

Oi Victor. Eu diria que sim. A linguagem é simples e como aborda questões contemporâneas os termos são mais conhecidos (diferente de fantasias que costumam colocar algumas palavras inventadas no meio).
Se você tiver um e-reader pode ajudar o uso do dicionário em inglês para alguma eventual dúvida (eu uso bem mais que imaginava esse recurso no meu kindle).
Espero que goste do livro! ;)

Abraço.

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14 de julho de 2017 11:33 delete

Oi, Aline!
Menina, estou chocada com esse livro. Quando começo a resenha, eu não botava muita fé por falarem ser parecido com Jogos Vorazes, mas agora necessito.
Beijos
Balaio de Babados
Participe do Sorteio de Férias: cinco livros, um ganhador!

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Nina Novaes
AUTHOR
16 de julho de 2017 16:12 delete

Falou em girl power já estou querendo ler para ontem. Eu adoro me arriscar em algumas leituras em inglês. Infelizmente, não leio tanto quanto gostaria, por causa da pilha de livros em português que tenho acumulada hehe Mas acho que super válido vocês trazerem resenhas de livros em inglês até porque as vezes eu quero comprar um, mas não tenho nenhuma indicação. Se bem que pode acontecer como aconteceu com você de ser influenciada por uma vitrine! Achei a história do livro ótima e fiquei com muita vontade conferir. Eu fiquei sabendo do blog de vocês através do Historiar que respondeu um TAG que vocês fizeram. Mas o que me chamou a atenção é que o nome da criadora de vocês é o primeiro nome da minha amiga/sócia e o meu sobrenome haha Eu precisei ver isso de perto e encontrei um blog lindo cheio de gente que ama livros <3

beijos, Aline!

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18 de julho de 2017 17:23 delete

Oi Luiza. Pois ele é tudo que promete ser. Fiquei muito feliz em ter decidido comprar! Beijo

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18 de julho de 2017 17:26 delete

Ahh!! Quanto amor num só comentário! Seja bem vinda ao blog!!!
Eu ultimamente to lendo muitos livros girl power. To adorando!
Quanto as leituras em inglês: se arrisca. Vale a pena. Que jeito melhor de aprender a língua?! Foi assim que eu treinei muito. Comecei com Nárnia e agora que to morando na Inglaterra to lendo tudo em inglês, já que livros em português são bastante escassos por aqui.
Mas vou tentar postar mais dicas pra ler livros em inglês! ;)
Beijos

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