Resenha: Coluna de Fogo (Kingsbridge #3), Ken Follett

Como prometido no post Bancando a fã com o Ken Follett, aqui está a resenha do último livro do autor: Coluna de Fogo (finalmente!!! 😃)

Ficção Histórica | | 816 p | | Editora Arqueiro | | 2017  | | Skoob | | Goodreads | | Classificação: ★★★

Coluna de Fogo foi um daqueles livros que eu esperei com aquela ansiedade que só acaba quando você abre o livro e põe os olhos na primeira página para começar a ler. Já tinha lido outros livros do Ken Follett e o primeiro, do que se tornou agora uma trilogia, Os Pilares da Terra [Resenha] está entre os meus favoritos de todos os tempos. Minha ansiedade era visível, queria mais páginas a la Pilares da Terra. Ao invés disso, tive uma das minhas maiores decepções dos últimos anos. Acho até, que a decepção parece maior por se tratar de um autor por quem tenho um enorme carinho.

Anunciaram que essa obra é a mais ambiciosa do autor, e foi essa a impressão que tive. Em Coluna de Fogo me pareceu que Ken Follett quis abraçar o mundo, quis colocar tanta coisa na história que o que faz Os Pilares da Terra ser tão bom: os personagens, a relação entre e a afeição à eles ao longo do livro, se perdeu.
"I did it for my country, which is dear to me; for my sovereign,
whom I serve; and for something else, a principle,
the belief that a person has the right to make up his own mind about God".
Kingsbridge, a cidade onde se localiza a catedral construída durante a trama de Os Pilares da Terra, volta a ser o núcleo central da história. Na metade do século XVI, Kingsbridge é um importante posto mercantil inglês, com as famílias dos Willard e dos Fitzgerald fazendo parte do grupo dos mercadores que governam a cidade.

A história se inicia em 1558, quando Ned Willard volta do seu período na cidade de Calais, território inglês na França, e está prestes a rever sua família e Margery Fitzgerald, por quem se apaixonou um ano antes e quem deixou para trás quando embarcou para solo francês. A rainha Maria I está no trono, reinando um país católico e perseguindo e colocando na fogueira centenas de protestantes.

O que Ned encontra não é o que esperava. Margery Fitzgerald está noiva do Conde de Shiring e Rolo Fitzgerald, irmão mais velho dela impede qualquer contato dela com o jovem Ned. Protestantes são perseguidos e condenados na cidade e os mercadores católicos e o bispo de Kingsbridge são figuras de muito poder. No entanto, a sucessão do trono é incerta, pois não há herdeiros diretos, e a escolha do novo monarca será a definição para a Inglaterra continuar católica ou voltar a ser protestante.

É nesse clima de incertezas e de perseguições àqueles que seguem a religião iniciada por Henrique VIII, que a história de Ned Willard se inicia. Por conta da guerra iniciada na França contra os ingleses o comércio de Kingsbridge é bastante afetado e Ned se encontra sem renda e sem futura esposa. Nesse mesmo ano a rainha Elizabeth I é coroada monarca e sua decisão é pôr um fim nas perseguições religiosos, pois acredita que católicos e protestantes podem conviver em harmonia.  Por concordar com os ideais da rainha Ned começa a trabalhar para ela.

É nesse contexto que se passa a história de Coluna de Fogo e como costumeiro, o autor compõe a história ao longo dos anos, terminando em 1620. O núcleo de Kingsbridge não é o único. Temos ainda: a corte dos reis da França, Sevilha (Espanha), Antuérpia (antiga Holanda), Nova Espanha (América Central) e a corte da rainha Maria da Escócia.

Follett apresenta dezenas de personagens para montar uma trama que faz sentido, para apresentar os meandros políticos e religiosos que definiram a segunda metade do século XVI e consequentemente a perseguição religiosa na Inglaterra, Holanda, França e Espanha. Foi apenas no último terço do livro que a relação entre todos esses personagens começou a ficar clara e encontrei o ‘velho’ Ken Follett. Por boa parte do livro, os núcleos não se encontram, apesar de as histórias correrem paralelamente. E a complexidade dessas relações, tão presente em livros anteriores do autor, me fez muita falta. Ouso dizer, que alguns dos núcleos foram supérfluos e a história funcionaria com apenas um parágrafo de contexto.

Ned e Rolo são apresentados como inimigos no início e isso continua até o fim e são na minha opinião os personagens centrais da trama. O livro tem bons temas e apresenta um bom número de condenações, fogueiras, maquinações políticas, espionagem, paixão e rivalidades. Mas faltou. Ficou um gosto amargo de quero mais. Ken Follett continua sendo um bom autor, o livro é bem escrito e de leitura fluida, mas para mim foi ambicioso demais.

E quanto a vocês, querem ler o livro mesmo depois da minha resenha ;D? Já conheciam o livro?
Deixe seu comentário!



(Edição lida)
Título: A Column of Fire (Kingsbridge #3)
Autor: Ken Follett
Editora: Macmillan
Lançamento: 2017
Páginas: 751
ISBN: 97-814-472-7873-3

2 comentários:

  1. Oi Aline! Tudo bem?

    Gostei pra caramba da resenha, me parece um livro bem interessante baseado na crítica.

    Grande abraço!
    www.cafeidilico.com

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